Amazon continua isenta de impostos na Europa

A Amazon EU Sarl registou receitas de 44 mil milhões de euros de receitas só na Europa. No entanto, devido a prejuízos de 1,2 mil milhões de euros, não pagou um único imposto ao Fisco do Luxemburgo, onde a empresa está sediada.

Não é a primeira vez que a companhia de Jeff Bezos não paga qualquer euro de impostos na Europa. Há três anos consecutivos que a situação se mantém.

Na realidade, a subsidiária europeia recebeu 56 milhões de euros em isenções fiscais como garantia do Estado do Grão-Ducado, que pode utilizar a qualquer altura para abater sobre os lucros que venha a contabilizar.

Bruxelas tem trabalhado para travar as condições fiscais favoráveis que alguns Estados-membros oferecem às multinacionais. Agora, a Comissão está a ameaçar fazer da reforma tributária uma condição para receber fundos do pacote de resgate de 750 mil milhões de euros.

De acordo com dados da empresa, a retalhista dispõe atualmente de 2,7 mil milhões de euros de prejuízos transitados em exercício, que podem ser utilizados contra qualquer imposto a pagar sobre lucros futuros.

O relatório de contas de 23 páginas da empresa mostra ainda que as vendas de 2020 no bloco aumentaram em 12 mil milhões de euros face aos 32 mil milhões de euros faturados em 2019.

Contactada pela imprensa britânica, a Amazon fez saber “que paga todos os impostos necessários em todos os países onde trabalhamos. O imposto empresarial é baseado em lucros, não em receitas, e os nossos lucros têm sofrido uma quebra acentuada, devido ao volume dos nossos investimentos”.

Segundo a Amazon, “investimos mais de 78 mil milhões de euros na Europa desde 2010, e grande parte desse investimento foi aplicado em infraestruturas, tendo criado milhares de novos empregos”, rematou.

A Amazon chegou ao Luxemburgo em 2003, e em poucos meses conseguiu um acordo fiscal confidencial com o governo. Bob Comfort, responsável pelo departamento tributário da gigante digital até 2011, confessou na altura à imprensa luxemburguesa que Jean-Claude Juncker, o então primeiro-ministro do país e ex-presidente da Comissão Europeia, chegou mesmo a oferecer ajuda pessoal à empresa de Jeff Bezos.

A Amazon faz parte da “lista negra” onde constam os nomes das seis maiores empresas tecnológicas dos EUA, ao lado do Facebook, Google, Netflix, Apple e Microsoft. Todas estas entidades são acusadas de fugir nos últimos dez anos ao pagamento de um total de quase 100 mil milhões de euros em impostos, segundo um relatório da Fair Tax Foundation.

Nesta lista, a Amazon aparece como a maior infratora, estando a dever mais de 3 mil milhões de euros na última década aos cofres do Fisco.

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