Altrnativ: Fuga de informação revela como empresa de cibervigilância ‘espiou’ políticos, ativistas e sindicalistas em França

Um ‘ataque’ ao grupo francês de produtos de luxo LVMH, que detém, entre outra marcas, a Louis Vuitton, Moët & Chandon, Fendi, Givenchy, Henessy, Marc Jacobs ou Sephora terá levado a empresa de cibervigilância Altrnativ a ‘espiar’ políticos, sindicalistas, ativistas e críticos das marcas do grupo, monitorizando a sua atividade online.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um ‘ataque’ ao grupo francês de produtos de luxo LVMH, que detém, entre outra marcas, a Louis Vuitton, Moët & Chandon, Fendi, Givenchy, Henessy, Marc Jacobs ou Sephora terá levado a empresa de cibervigilância Altrnativ a ‘espiar’ políticos, sindicalistas, ativistas e críticos das marcas do grupo, monitorizando a sua atividade online.

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O caso é denunciado numa investigação feita pelo Politico, que teve acesso a uma fuga de documentos e relatórios da Altrnativ, fundada pelo empresário francês Eric Leandri. O jornal alerta que este tipo de prática, cada vez mais comum para defesa da reputação de empresas e negócios, carece de qualquer tipo de regulação.

Em causa estava uma campanha, lançada em 2021 pela ONG ATTC, onde o grupo de ativistas denunciava vários empresários e milionários que tinham feito lucros chorudos com a pandemia da Covid-19. Entre eles estava o CEO do grupo LVMH e a segunda pessoa mais rica do mundo, Bernard Arnault.

Eric Leandri nega veementemente que a LVMH tenha contratado a Altrnativ e diz que a operação montada pela empresa fez parte de uma série de “testes” que a empresa realizou para outras empresas de segurança privada e gestão de crise.

O relatório da empresa a que o Politico teve acesso detalha que “vários ativistas”, a organização ATTC e respetivos apoiantes, incluindo o político francês Manon Aubry, eurodeputado viram todas as suas atividades nas redes sociais postas “sob vigilância”.

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O Politico assume que o relatório não tem quaisquer provas de que o relatório foi encomendado pelo grupo LVMH, mas detalha que os documentos a que teve acesso mostram a industria de cibervigilância em crescimento exponencial, coma as empresas de segurança privada a aproveitarem-se da proliferação de dados e informação online, especialmente nas redes e plataformas sociais, para investigar os críticos dos seus clientes e monitorizar eventuais ameaças reputacionais, com pouca ou nenhuma regulação ou um organismo regulador.

“Nos últimos 15 anos, tem havido o uso de dados pessoais para fins comerciais, o que é uma invasão da nossa privacidade de um modo hiper-intrusivo”, lamenta Estelle Massé, especialista em proteção de dados do grupo de ativistas de direitos digitais Access Now.

De acordo com o relatório, a Altrnativ investigou os críticos da LVMH com a parceria da AB Global Cosulting, uma empresa de gestão de crise curiosamente criada por uma antiga empregada do grupo LVMH, Anabelle Bouffay,

A empresária garante que colaborou com a Alternativa em “testes” e que depois escolheu não voltar a trabalhar com a empresa, recusando ter sido sub-contratada pelo grupo LVMH. Também Leandri nega que o relatório seja da sua autorida. “Nunca usei este tipo de linguagem… Nós não pomos pessoas sob vigilância”, defendeu-se.

Os documentos revelam ainda uma alegada ligação a Bernard Squarcini, antigo responsável dos serviços de inteligência franceses, acusado pela justiça de ter espiado um jornalista francês em nome da LVMH. O caso viria a ser fechado, com o grupo de luxo a acordar pagar 10 milhões de euros para que a investigação fosse encerrada. Squarcini continua a ser investigado por tráfico de influências. Testemunhas garantem que foi visto a circular nas instalações da Altrnativ.

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Noutro caso, a empresa terá ‘espiado’ líderes sindicais franceses que podiam tornar-se um problema para um produtor de óleo alimentar e maionese, a Leisieur. O objetivo era “detetar sinais de oposição, indentificar grupos de ativistas ou coletes-amarelos, prevenir potenciais protestos”, contra a fusão de duas fábricas que iria resultar no despedimento de alfuns funcionários.

Para esse trabalho, a Altrnativ juntou-se à Maegis, empresa de segurança privada fundada por Charles Pellegrini, amigo de Squarcini que também já foi acusado de espiar em nome do grupo LVMH.

Os documentos divulgados mostram também que a Altrnativ já trabalhou noutras alturas diretamente com o grupo LVMH, como mostram faturas que provam que o grupo de luxo pagou perto de 30 mil euros à empresa de cibervigilância, na altura para avaliar se a presença de um empresário franco-tunisino tinha prejudicado a reputação ‘online’ de uma festa da Louis Vuitton em Madrid.

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