Alto responsável ucraniano diz que Forças Armadas avistaram OVNI e publica vídeo

Vídeo, com cerca de um minuto, foi gravado em infravermelhos e mostra um objeto arredondado, com uma fonte de calor visível no centro e seis cones pontiagudos projetados a partir de um corpo principal achatado

Francisco Laranjeira

Um especialista ucraniano em drones e guerra eletrónica divulgou imagens de objetos voadores não identificados observados por forças militares da Ucrânia, incluindo um vídeo captado durante operações de combate. O caso está a ser analisado em contexto militar, não por suspeitas de origem extraterrestre, mas porque estes avistamentos podem corresponder a novas armas ou sistemas russos ainda desconhecidos.

Segundo o ‘Kyiv Post’, Serhiy “Flash” Beskrestnov, conselheiro ligado à tecnologia e à guerra de drones e uma das principais vozes ucranianas nesta área, publicou fotografias e vídeo de objetos voadores não identificados detetados por militares ucranianos. O especialista afirmou que o avistamento ocorreu em maio de 2025 e que o Governo ucraniano teve conhecimento do incidente.

O vídeo, com cerca de um minuto, foi gravado em infravermelhos e mostra um objeto arredondado, com uma fonte de calor visível no centro e seis cones pontiagudos projetados a partir de um corpo principal achatado. Atrás do objeto surge uma espécie de pluma ou nuvem mais quente do que o ar noturno.

De acordo com Beskrestnov, as imagens foram captadas por um piloto das Forças de Sistemas Não Tripulados durante operações de combate, a uma altitude de cerca de 800 metros.

O objeto parece pairar ou deslocar-se lentamente, sem reagir de forma visível ao drone que o observa. O operador roda a câmara lateral e verticalmente depois de detetar o objeto.

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OVNI, mas não necessariamente extraterrestre

A expressão OVNI, ou objeto voador não identificado, não significa que esteja em causa vida extraterrestre.

No contexto militar ucraniano, a preocupação é outra: perceber se estes objetos podem ser drones, munições, plataformas de vigilância, sistemas de guerra eletrónica ou novas armas russas ainda não catalogadas.

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O próprio Beskrestnov afastou leituras fantasiosas e defendeu que os avistamentos devem ser comunicados às autoridades.

“Com o início da guerra, o estudo de OVNI no nosso espaço tornou-se mais uma tarefa militar do que civil”, escreveu no Telegram.

Segundo o especialista, as Forças Armadas da Ucrânia terão mesmo um documento detalhado sobre o tema, aprovado ao mais alto nível, para orientar a forma como estas ocorrências devem ser registadas e tratadas.

Ucrânia teme sistemas russos ainda desconhecidos

A Ucrânia vive há mais de três anos sob ataques constantes de mísseis, bombas planadoras, drones Shahed, mísseis balísticos, mísseis hipersónicos e outros sistemas de longo alcance usados pela Rússia.

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Neste contexto, qualquer objeto desconhecido no espaço aéreo pode representar uma ameaça.

Beskrestnov apelou a civis e militares para que comuniquem imediatamente avistamentos de objetos voadores não identificados, precisamente porque podem corresponder a tecnologia inimiga ainda não reconhecida pelas forças ucranianas.

“Não são apenas os Estados Unidos que lidam com estas questões, porque aquilo que pode parecer um OVNI pode muito bem ser uma nova arma escondida do nosso inimigo”, afirmou, referindo-se às forças russas.

A agência ucraniana ‘UNIAN’ também sublinhou que a Ucrânia estuda estes casos porque a designação OVNI pode funcionar como uma cobertura para novos sistemas militares russos.

Imagens reais, origem ainda por explicar

Segundo o ‘Kyiv Post’, meios de comunicação ucranianos e algumas plataformas oficiais confirmaram que o vídeo e as fotografias correspondem a imagens reais captadas por drones em contexto de combate.

Isso, porém, não significa que tenha sido identificada a natureza do objeto.

Nenhuma das fontes citadas sugeriu a deteção de vida extraterrestre ou de objetos de origem não humana.

O ponto central é precisamente o contrário: a Ucrânia tenta perceber se estes objetos pertencem ao arsenal russo, se são plataformas experimentais, se resultam de fenómenos técnicos nas imagens ou se correspondem a outro tipo de equipamento ainda por identificar.

Semelhanças com vídeos divulgados pelo Pentágono

A divulgação ucraniana surge poucos dias depois de o Pentágono ter tornado públicos novos vídeos e fotografias desclassificados relacionados com objetos voadores não identificados observados por agências militares e governamentais dos Estados Unidos.

Entre esses materiais há imagens captadas por plataformas de infravermelhos, algumas com objetos de formas pouco comuns.

Um dos vídeos citados pelo ‘Kyiv Post’, associado ao Comando Central dos Estados Unidos e gravado no Médio Oriente em 2013, mostra um objeto em forma de estrela de oito pontas. Em alguns aspetos, esse objeto lembra o corpo esférico com cones observado pelas forças ucranianas, embora não seja idêntico.

No caso americano, o objeto aparenta ter quatro pontas grandes e quatro pequenas, enquanto o objeto observado na Ucrânia apresenta seis projeções. Também há diferenças na assinatura térmica e na forma da pluma visível nas imagens.

A comparação é, por isso, apenas visual e não permite concluir que os casos tenham a mesma origem.

Guerra de drones tornou os céus ucranianos altamente vigiados

A guerra transformou o espaço aéreo ucraniano num dos mais monitorizados do mundo.

Desde o outono de 2022, a Rússia tem lançado ataques em larga escala contra cidades, infraestruturas e alvos militares ucranianos, recorrendo a combinações de mísseis e drones. Em algumas noites, os ataques envolveram centenas de armas.

Perante a falta de meios de defesa aérea em número suficiente, a Ucrânia desenvolveu uma rede própria de deteção e interceção, combinando sensores acústicos, drones intercetores, aviação, sistemas fornecidos por aliados europeus e meios improvisados.

O resultado é uma vigilância constante dos céus.

Por isso, os relatos de objetos voadores não identificados são comuns. Na maioria dos casos, acabam por ser identificados como drones, mísseis ou outros sistemas russos em direção a alvos ucranianos.

O que torna este caso diferente é a forma do objeto, a assinatura térmica registada e o facto de não ter sido imediatamente reconhecido.

Um mistério militar, não ficção científica

O caso tem todos os ingredientes para alimentar especulação: um vídeo em infravermelhos, um objeto de forma invulgar, uma pluma de calor, semelhanças parciais com materiais divulgados pelo Pentágono e a palavra UFO.

Mas, no contexto ucraniano, a leitura mais relevante é militar.

A Ucrânia não está a procurar extraterrestres. Está a tentar identificar tudo o que cruza o seu espaço aéreo num cenário de guerra tecnológica acelerada, onde a Rússia testa e adapta constantemente drones, munições e sistemas de ataque.

A pergunta central não é se o objeto veio de fora da Terra. É se veio de dentro do arsenal russo.

E, para Kiev, essa diferença pode ser decisiva. Num campo de batalha dominado por drones, sensores, guerra eletrónica e ataques de precisão, reconhecer uma ameaça antes de ela ser usada em larga escala pode salvar vidas.

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