As alterações climáticas vão criar um desafio sanitário para o qual os países não estão preparados. O calor extremo, as inundações e a propagação de doenças vão colocar em risco os sistemas de saúde em todo o mundo, que podem colapsar devido às alterações climáticas, adverte um relatório da Lancet sobre saúde e clima.
O aviso foi feito por um painel de especialistas, composto por 120 académicos e médicos que descobriram que os indicadores que relacionam a saúde às alterações climáticas pioraram em 2020, em comparação com os anos anteriores.
O calor extremo, a poluição do ar e a agricultura intensa abrem “as piores perspetivas para a saúde pública que a nossa geração já viu”, aponta o relatório anual. Nos últimos 20 anos, a mortalidade relacionada com o calor aumentou 54% em pessoas com mais de 65 anos, provocando a morte de quase 300 mil idosos só em 2018.
O relatório mostra que, como no caso da covid-19, as pessoas mais velhas são particularmente vulneráveis, e também as pessoas com uma série de condições médicas pré-existentes, incluindo asma e diabetes, correm um risco ainda maior.
Além disso, só nos últimos cinco anos, os cientistas conseguiram associar as alterações climáticas como a causa de 76 inundações, secas, tempestades e anomalias de temperatura. Também aumentou a exposição humana aos incêndios florestais – 128 países registaram um aumento na população ferida, morta ou desalojada por incêndios desde o início de 2000.
“As ameaças à saúde humana multiplicam-se e intensificam-se devido às alterações climáticas, e a menos que mudemos de rumo, os nossos sistemas de saúde correm o risco de ser esmagados no futuro”, afirma Ian Hamilton, diretor executivo do relatório Lancet Countdown.
Com mais de nove milhões de mortes a serem atribuídas à fome, o painel de especialistas descobriu, paralelamente, que a mortalidade associada ao consumo excessivo de carne vermelha aumentou 70% em apenas 30 anos.
Os autores apontam também que o surgimento de pandemias, como a de covid-19, é cada vez mais provável no futuro, devido à urbanização, agricultura intensiva, viagens aéreas, utilização de combustíveis fósseis, etc. O painel da Lancet pediu, assim, um “alinhamento do clima com a recuperação da pandemia”.













