Alterações climáticas perdem duelo com a estrada. Maioria dos condutores quer conduzir mais na era pós-Covid

As pessoas estão a planear conduzir mais no futuro do que antes da pandemia, sugere um novo inquérito, embora a esmagadora maioria aceite a responsabilidade humana pela crise climática.

Mara Tribuna

Embora a esmagadora maioria das pessoas aceite a responsabilidade humana pela crise climática, não deixam de assumir que estão a planear conduzir mais no futuro do que o faziam antes da pandemia, segundo apurou o mais recente inquérito do Projeto Globalismo YouGov-Cambridge.

Esta sondagem, concebida para o jornal britânico The Guardian, mostra ainda que, em termos climáticos, encerra ainda uma “descoberta mais alarmante”, na medida em que, as 26.000 pessoas de 25 países, revelam a intenção generalizada de conduzir mais após a pandemia do que antes, apesar dos esforços em muitos países para criar mais espaço nas cidades para modos de transporte sustentáveis.

Esta tendência foi evidente em todos os países visados mas mais pronunciada no Brasil, onde 62% disseram que iriam utilizar o seu carro mais do que antes da pandemia, e na África do Sul onde 60% dos inquiridos respondeu o mesmo. Nos Estados Unidos e Austrália, mais de 40% esperam conduzir mais do que antes. A tendência é menos forte no Reino Unido, Itália, Alemanha, Índia e China.

Em vários países, mais pessoas disseram que planeavam utilizar menos aviões. Esta tendência foi mais acentuada no Reino Unido, Itália, Alemanha e Índia. Contudo, em muitos outros países, o inverso foi verdadeiro, particularmente no Brasil e na Nigéria. Nos EUA, China, França e Japão, havia pouca diferença entre os dois.

Numa proporção de mais de três para um, os inquiridos concordaram que a humanidade era a principal ou parcialmente responsável pela emergência climática. Este reconhecimento generalizado da ciência é suscetível de reforçar os apelos a esforços internacionais mais ambiciosos para reduzir as emissões industriais e agrícolas de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa que estão a intensificar o aquecimento global e eventos climáticos extremos, tais como tempestades, inundações e secas.

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Entre os países com o maior apoio a esta visão cientificamente comprovada encontram-se o Reino Unido (86%), China (87%), Japão (85%), Brasil (88%) e Espanha (87%). Os mais ‘fracos’ foram todos os estados petrolíferos, embora mesmo nestes países (Arábia Saudita, Egipto, EUA), que dependem fortemente da venda de combustíveis fósseis, uma maioria substancial tenha reconhecido o papel da humanidade na perturbação do clima.

Refletindo tendências semelhantes, o número de pessoas que acreditavam que o aquecimento global feito pelo homem era um embuste foi mais baixo no Reino Unido (apenas 9%) e mais alto em países produtores de petróleo, como os EUA (27%), Nigéria (31%) e Arábia Saudita (27%).

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