Enormes nuvens de metano e petróleo foram mapeadas globalmente pela primeira vez a partir de campos de petróleo e gás, através de satélites, de acordo com a ‘BBC’.
A nova pesquisa encontrou nuvens a cobrir vastas áreas do mundo, contudo, acredita-se que os derramamentos de gás e petróleo não sejam, na sua maioria, intencionais.

“Já sabíamos que existiam explosões individuais de gás, mas este trabalho mostra a verdadeira pegada de metano, vinda das operações de petróleo e gás em todo o planeta”, explica Riley Duren, autor do artigo e CEO da Carbon Mapper, que faz o rastreio das emissões de metano.
O metano geralmente escapa das instalações de petróleo e gás durante as operações de manutenção, durante a fixação de uma válvula ou tubo, por exemplo, ou de estações de compressão – instalações que mantêm a pressão do gás natural.
Também é produzido por aterro, agricultura e na produção de carvão. Esta pesquisa concentrou-se na deteção de derramamentos de óleo e gás que podem ser tapados se as empresas investirem em prevenção.
Os cientistas acreditam que cortar as emissões de metano é uma “vitória fácil” no combate às alterações climáticas, porque se trata de um gás muito forte, geralmente libertado por humanos em derramamentos que podem ser interrompidos com relativa facilidade.
O principal cientista da pesquisa, Thomas Lauvaux, da LSCE CEA-Saclay, em França, disse à BBC que o cálculo das emissões de gases de efeito estufa geralmente depende de países ou empresas auto-reportadas.
No entantom, a recolha de dados da atmosfera “oferece uma abordagem mais rigorosa à contabilização de emissões, mais independente e mais transparente”, explica.
Os três países com as maiores nuvens de gás e petróleo identificadas na pesquisa foram Turcomenistão, Rússia e EUA. Mas os satélites não mediram derramamentos em áreas com espessa cobertura de nuvens ou em grandes altitudes, incluindo a maior parte do Canadá e da China.
Os dados foram recolhidos em 2019-2020 pelo instrumento Tropomi no satélite Sentinel-5P da UE, que identificou o maior dos derramamentos nos chamados ultra-emissores, respondendo por cerca de 12% de todas as libertações de metano por empresas de petróleo e gás.
“Fiquei chocado, mas não surpreendido com a natureza generalizada destes ultraemissores. São a ponta do iceberg”, disse o professor de geociências Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo, à BBC.
À medida que mais satélites forem aplicados nos próximos cinco anos, alguns detetarão metano com resolução muito maior, o que significa que instalações individuais de petróleo e gás podem ser identificadas. Ao tapar esses derramamentos, os países poderiam economizar muito dinheiro.
Em termos de benefícios para o meio ambiente, os cientistas estimam que parar os derramamentos evitaria entre 0,005 e 0,002 graus de aquecimento, o que equivale à eliminação de todas as emissões da Austrália da atmosfera desde 2005, ou das emissões de 20 milhões de carros por um ano.












