O climatologista Hans-Otto Pörtner, co-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) defendeu, em declarações ao “Público”, que devem ser aplicadas sanções a quem não tomar as medidas necessárias para combater as alterações climáticas.
«Nem todos estão prontos para assumir esta urgência e isso é prejudicial para a comunidade global. Mas é uma questão de comunidade global e ela tem de pensar se deve implementar sançõesclimatologista Do ponto de vista pessoal, acredito que os mecanismos para sancionar esses comportamentos não foram suficientemente explorados. É uma questão de direitos humanos e tem de haver mecanismos internacionais de controlo», disse.
O especialista deixou o recado: «Ninguém está isento dos impactos das alterações climáticas e todos têm de participar. Não há qualquer justificação para qualquer país dizer ‘nós vamos retirar-nos disto’». «As alterações climáticas e os seus impactos estão aqui e toda a gente os está a sentir. Estamos a mover-nos para o lado das soluções e o nosso trabalho é muito pelo lado da adaptação», adiantou o investigador alemão especialista nos oceanos, sublinhando que, apesar de poder haver medidas de adaptação específicas para diferentes locais do planeta, o combate às alterações climáticas necessita de uma «visão global».
Mais de 260 especialistas do IPCC estão reunidos no Algarve até sábado, a trabalhar no seu sexto relatório de avaliação, um documento que quando estiver pronto, em 2021, transmitirá uma visão global do que a ciência nos diz sobre os impactos das alterações climáticas nos sistemas naturais e humanos, as vulnerabilidades destes sistemas e as possibilidades que têm de se adaptarem.
«As boas notícias são que podemos travar as alterações climáticas. Elas são causadas pelo homem e devemos fazer tudo o que pudermos para as abrandar. Temos tempo para construir um mundo sustentável. Temos este aviso prévio, o que precisamos é de agir com urgência. Se continuarmos à espera, só vai piorar», considerou Hans-Otto Pörtner.







