Alterações climáticas em alta aceleração. Ondas de calor na Sibéria 600 vezes mais prováveis

As ondas de calor recordes registadas na região da Sibéria tornaram-se, pelo menos, 600 vezes mais prováveis de acontecer devido às alterações climáticas causadas pelo homem.

Simone Silva

As ondas de calor recordes registadas na região da Sibéria tornaram-se, pelo menos, 600 vezes mais prováveis de acontecer devido às alterações climáticas causadas pelo homem, de acordo com um estudo citado pelo ‘The Guardian’.

Entre Janeiro e Junho de 2020, as temperaturas no extremo norte da Rússia estavam cerca de cinco graus acima da média, causando o derretimento do permafrost (solo do Ártico), o colapso de infraestruturas e ainda o início incomum e intenso de incêndios florestais. A 20 de Junho, uma estação de monitorização de temperaturas em Verkhoyansk registou um recorde de 38 graus.

Um novo estudo mostra que essa vaga de calor prolongado nos primeiros seis meses do ano teria sido quase impossível de acontecer sem o efeito das emissões de gases de efeito estufa, provocados pelos sectores da indústria, transporte e agricultura.

Equipas de investigadores de universidades internacionais e serviços meteorológicos, incluindo o Instituto PP Shirshov de Oceanologia, da Universidade de Ciências da Rússia, calcularam que esse impacto humano adicionou pelo menos dois graus de aquecimento à região.

Os autores do estudo dizem que o calor da Sibéria poderia acontecer menos de uma vez a cada 80 mil anos se não houvesse interferência humana.

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Andrew Ciavarella, principal autor do estudo e cientista sénior do Met Office, referiu que as descobertas foram surpreendentes. «Esta pesquisa é mais uma evidência das temperaturas extremas a que podemos assistir cada vez com mais frequência em todo o mundo. É importante ressalvar que se as emissões de gases de efeito de estufa forem reduzidas, este tipo de eventos também pode desaparecer».

«Este é o maior sinal que já vimos», disse Friederike Otto, director interino do Instituto de Alterações Ambientais de Oxford. «Este estudo mostra novamente o quanto uma mudança climática pode ser revolucionária. À medida que as emissões aumentam, temos de pensar em reforçar a resiliência ao calor extremo em todo o mundo, mesmo nas comunidades do Árctico», afirmou citado pelo ‘The Guardian’.

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