A comunidade científica acredita que, com esforço, é possível limitar o aquecimento global a 1,5 graus, mas avisa que é preciso travar as elevadas emissões de CO2 decorrentes da produção de carne e outras práticas agrícolas intensivas, responsáveis por grande parte dos gases com efeito de estufa (GEE), avança o “The Guardian”.
Numa carta subscrita por 50 especialistas, publicada pelo “The Lancet Planetary Health”, defende-se que os Governos devem declarar um prazo a partir do qual a produção animal não deverá aumentar, com o objectivo de travar as alterações climáticas. «Os países devem fazê-lo durante os próximos 10 anos», recomenda a autora da carta, Helen Harwatt, da Harvard Law School.
Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura mostram que a produção de gado emite cerca de 80% do metano produzido pelas actividades agrícolas. O sector agropecuário emite mais gases com efeito de estufa – 18% – do que os transportes, sector que é apontado como uma das principais causas do problema.
Estudos recentes dão conta de que a produção de carne, leite e ovos aumentou de 758 milhões de toneladas, em 1990, para 1.247 milhões de toneladas, em 2017. E «prevê-se que a procura de alimentos aumente substancialmente à medida que a nossa população cresce», diz Matthew Betts, professor da Universidade Estadual de Oregon, dos Estados Unidos, sublinhando que «a redução da procura humana por proteínas animais reduziria consideravelmente a taxa de perda global de florestas, com enormes benefícios para a biodiversidade e os serviços ecossistémicos, além do armazenamento de carbono».
«A carne de vaca é 10 a 100 vezes mais prejudicial para o clima do que alimentos à base de plantas», continua Pete Smith, um dos especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da Organização das Nações Unidas.
Um alerta semelhante é deixado sobre os combustíveis fósseis. Smith sugere que sejam reduzidos ao máximo, sobretudo no sector dos transportes. «Precisamos de ser menos dependentes de carne e dos combustíveis fósseis se quisermos ter alguma hipótese de atingir os objectivos do acordo de Paris», diz. Contudo, admite que a transição precisa de ser ajustada às necessidades de cada país. «Nos países mais pobres, onde existem mais de 800 milhões de pessoas subnutridas, as prioridades são diferentes.»







