Alterações climáticas. Clima desértico do Norte de África está a chegar a Portugal, diz especialista

O avançar do clima desértico vai fazer com que os jovens de hoje venham a ter «um mundo com um clima mais inóspito e violento». O aviso foi deixado na ” Renascença” por Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, no arranque da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, em Madrid. 

«Há uma coisa na circulação geral da atmosfera chamada a Célula de Hadley, cujo ramo descendente gera os desertos, gera o Saara, e esse ramo descendente está a avançar para Norte”, explicou o especialista em alterações climáticas, acrescentando que «o que acontece é que esse clima do Norte de África está a saltar para o Sul da Europa» e é «uma das coisas mais preocupantes para Portugal: o avanço de um clima desértico que existe no Norte de África». «Se falarem com as pessoas do Algarve neste momento, sobretudo com a região Leste, a situação não é famosa em termos de escassez de água», disse.

«A situação não tem estado a melhorar, porque as emissões de gases com efeito de estufa têm aumentado, em vez de diminuir, a uma média de 1,5% por ano nos últimos 10 anos», afirmou, chamando a atenção para a necessidade de reduzirmos 6,7% por ano a emissão de gases com efeito de estufa. «Quanto mais atrasarmos essa diminuição das emissões globais, maior será o aumento da temperatura», trazendo consigo o aumento dos fenómenos extremos e violentos.

Na área do transporte marítimo, um dos mais poluentes, está a ser testado um barco que navega sem consumir qualquer combustível fóssil. «Através da energia solar fotovoltaica, faz a hidrólise da água, separa o hidrogénio do oxigénio e esse hidrogénio depois é um combustível», explicou Filipe Duarte Santos, frisando que «o hidrogénio é um combustível muito importante para o futuro».

No domingo, também o secretário-geral da ONU, António Guterres, assegurou que a comunidade científica já mostrou que é possível sairmos do «buraco que estamos a cavar». E o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável corrobora: «Há metodologias, simplesmente exigem um investimento muito considerável». Contudo, lembra que «exigem de todos nós – não é só dos políticos e dos governantes – um pequeno sacrifício, distribuído por todos, no sentido de fazermos esta transição energética dos combustíveis fósseis para as energias renováveis».

 

Ler Mais
Artigos relacionados
Comentários
Loading...

Multipublicações

Marketeer
Guerra do streaming: consumidores dão oportunidade aos novos players
Automonitor
As ideias (brilhantes) da Skoda