Aliados europeus da NATO respondem a ameaças de Trump e traçam linha vermelha sobre a Gronelândia

Vários líderes europeus da NATO divulgaram uma declaração conjunta contundente em que reafirmam que a Gronelândia pertence ao seu povo e que apenas a ilha e a Dinamarca têm legitimidade para decidir sobre o seu futuro.

Pedro Zagacho Gonçalves

Vários líderes europeus da NATO divulgaram uma declaração conjunta contundente em que reafirmam que a Gronelândia pertence ao seu povo e que apenas a ilha e a Dinamarca têm legitimidade para decidir sobre o seu futuro, numa resposta direta às reiteradas intenções manifestadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controlo do território por razões de segurança nacional.

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Na declaração, os líderes sublinham que a região do Árctico é uma prioridade estratégica para a Aliança Atlântica e que os aliados europeus estão a reforçar a sua presença, atividades e investimentos para garantir a segurança da área e dissuadir potenciais adversários. “A NATO deixou claro que o Árctico é uma prioridade e os aliados europeus estão a intensificar o seu empenho”, refere o texto.

O documento destaca ainda que o Reino da Dinamarca, incluindo a Gronelândia, integra plenamente a NATO, o que implica que a segurança da região deve ser alcançada de forma coletiva, em coordenação com todos os aliados, incluindo os Estados Unidos.

“Assim, a segurança no Árctico deve ser garantida coletivamente, em conjunto com os aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, através do respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas, nomeadamente a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras”, lê-se na declaração conjunta.

Os signatários acrescentam que estes princípios são universais e que os aliados não deixarão de os defender, independentemente das pressões ou declarações provenientes de qualquer Estado membro.

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Apesar do tom firme, os líderes europeus fazem questão de sublinhar que os Estados Unidos continuam a ser um parceiro essencial na segurança do Árctico, quer no quadro da NATO, quer através do acordo de defesa assinado em 1951 entre Washington e o Reino da Dinamarca.

Ainda assim, a declaração estabelece uma linha clara quanto à soberania da Gronelândia. “A Gronelândia pertence ao seu povo. Cabe apenas à Dinamarca e à Gronelândia decidir sobre as questões que dizem respeito à Dinamarca e à Gronelândia”, afirmam, rejeitando qualquer possibilidade de imposição externa sobre o futuro do território autónomo.

A posição agora tornada pública surge num contexto de crescente tensão diplomática, depois de Donald Trump e vários responsáveis da Casa Branca terem reiterado a intenção de assumir o controlo da Gronelândia, alegando razões estratégicas e de segurança nacional.

As declarações do Presidente norte-americano reacenderam receios entre aliados europeus quanto a uma possível escalada política no Árctico, levando vários governos a manifestar publicamente apoio à Dinamarca e ao direito dos gronelandeses à autodeterminação.

O texto conjunto foi assinado por alguns dos principais líderes políticos da Europa, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

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A iniciativa pretende enviar uma mensagem clara de unidade no seio da NATO e reforçar o compromisso dos aliados europeus com a defesa da soberania, da ordem internacional baseada em regras e da estabilidade estratégica no Árctico.

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