Aliados discutem em Paris esboço que prevê apoio obrigatório à Ucrânia em caso de ataque. O que mais diz o documento?

Um esboço de declaração preparado para a cimeira da chamada “Coligação dos dispostos”, que decorre este domingo em Paris, estabelece que as futuras garantias de segurança à Ucrânia deverão incluir compromissos vinculativos por parte dos aliados, destinados a assegurar apoio a Kiev em caso de um novo ataque armado da Rússia.

Pedro Gonçalves
Janeiro 6, 2026
13:30

Um esboço de declaração preparado para a cimeira da chamada “Coligação dos dispostos”, que decorre este domingo em Paris, estabelece que as futuras garantias de segurança à Ucrânia deverão incluir compromissos vinculativos por parte dos aliados, destinados a assegurar apoio a Kiev em caso de um novo ataque armado da Rússia.

O documento preliminar, citado pela Reuters e ainda sujeito a aprovação formal pelas capitais envolvidas, prevê que esses compromissos possam abranger capacidades militares, partilha de informações, apoio logístico, iniciativas diplomáticas e a imposição de sanções adicionais, sinalizando um reforço significativo do quadro de garantias discutido até agora entre os parceiros ocidentais da Ucrânia.

O texto sublinha os avanços registados nas últimas semanas nas discussões sobre garantias de segurança, apesar de Moscovo não ter dado qualquer indicação pública de que aceitaria tais mecanismos. Até recentemente, grande parte do debate centrava-se em promessas de ajuda militar às forças ucranianas e em possíveis contributos para uma força internacional de dissuasão.

Segundo diplomatas, o foco está agora a deslocar-se para garantias juridicamente vinculativas que obriguem os aliados a apoiar a Ucrânia em caso de nova agressão russa — uma mudança que poderá desencadear debates políticos em vários países europeus, sobretudo no que diz respeito à eventualidade de uma resposta militar.

Cimeira em Paris procura consolidar compromissos antes de eventual cessar-fogo
A reunião no Palácio do Eliseu reúne mais de 27 líderes e responsáveis internacionais e tem como objectivo consolidar o máximo possível das contribuições para um quadro de garantias futuras, concebido para tranquilizar Kiev no cenário de um cessar-fogo com a Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2014 e lançou uma ofensiva em grande escala em 2022.

Participam na cimeira o enviado especial do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff, bem como Jared Kushner, genro do chefe de Estado norte-americano, que chegaram a Paris para os trabalhos.

Um alto responsável europeu indicou que existe a expectativa de que a clarificação e o reforço dos compromissos constantes do esboço possam também ajudar a consolidar os compromissos dos Estados Unidos, até agora delineados sobretudo no âmbito de contactos bilaterais com Kiev.

Zelensky insiste em garantias comparáveis às da NATO
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participa na cimeira como parte de um esforço mais vasto para construir uma posição comum entre a Ucrânia, os aliados europeus e os Estados Unidos, que possa depois ser apresentada à Rússia.

Kiev tem reiterado que não poderá considerar-se segura sem garantias comparáveis às previstas no princípio de defesa coletiva da NATO, destinadas a dissuadir Moscovo de lançar novas ofensivas. A Rússia, por seu lado, insiste que qualquer acordo de paz deverá impedir a adesão da Ucrânia a alianças militares.

À chegada a França, Zelenskiy sublinhou que as conversações visam reforçar a protecção e a capacidade de defesa do país. “Estas conversações destinam-se a garantir mais proteção e mais força para a Ucrânia. Contamos com o apoio dos nossos parceiros e com medidas que possam garantir uma segurança real para o nosso povo”, escreveu o Presidente ucraniano na rede social X.

Esboço prevê monitorização do cessar-fogo e apoio militar prolongado
O documento preliminar prevê ainda a criação de um mecanismo contínuo e fiável de monitorização e verificação de um eventual cessar-fogo, liderado pelos Estados Unidos, com participação internacional. “Este sistema será liderado pelos Estados Unidos, com participação internacional, incluindo contributos dos membros da Coligação dos dispostos”, refere o texto.

Além disso, o esboço contempla a continuação de assistência militar de longo prazo à Ucrânia, bem como a eventual constituição de uma força multinacional no país, como parte integrante das garantias de segurança em discussão.

As negociações para pôr fim ao conflito, que se prolonga há quase quatro anos, intensificaram-se desde novembro, embora Moscovo ainda não tenha dado sinais de disponibilidade para fazer concessões, depois de Kiev ter pressionado por alterações a uma proposta norte-americana inicial que acolhia várias exigências russas.

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