Ao longo da História, tesouros fantásticos de várias culturas foram roubados ou desapareceram misteriosamente. Em muitas ocasiões, durante períodos de guerra, quando não podem ser protegidos ou quando uma força militar decide tomar esses tesouros como troféus. Por vezes são recuperados mas muitos permanecem desaparecidos. Eis uma lista dos tesouros mais emblemáticos cujo paradeiro se desconhece:
Sala Âmbar – Construída no Palácio de Catarina, em São Petersburgo, no século XVIII, a sala continha mosaicos dourados, espelhos e esculturas, juntamente com painéis construídos com cerca de 450 quilos de âmbar. A cidade de Tsarskoye Selo foi capturada pela Alemanha em 1941, durante a II Guerra Mundial, e os painéis e obras de arte foram desmontados e levados para a Alemanha. Não foram vistos desde então e é possível que estejam destruídos. Em 1979, teve início o projeto de reconstruir a Sala Âmbar e, em 2003, após décadas de trabalho de artesãos russos, foi reinaugurada.
Pirâmide de Miquerinos – A pirâmide do faraó egípcio Menkaure é a menor das três construídas em Gizé há cerca de 4.500 anos. Na década de 1830, o oficial militar inglês Howard Vyse explorou as pirâmides de Gizé, às vezes usando técnicas destrutivas (com explosivos) para abrir caminho pelas estruturas. Vyse fez várias descobertas em Gizé, incluindo um sarcófago ornamentado encontrado na pirâmide de Menkaure. Vyse tentou enviar o sarcófago para Inglaterra em 1838 a bordo do navio mercante ‘Beatrice’, mas o navio afundou durante a viagem.
Arca da Aliança – De acordo com a Bíblia hebraica, a Arca da Aliança era um baú que continha as duas tábuas gravadas com os 10 Mandamentos. O baú foi mantido num templo em Jerusalém, mandado construir pelo rei Salomão, chamado de Primeiro Templo – era o local mais sagrado da Terra para o povo judaico mas foi destruído em 586 A.C. quando um exército da antiga Babilónia, liderado pelo rei Nabucodonosor II conquistou e saqueou a cidade. Não está claro o que aconteceu com a Arca da Aliança e a sua localização tem sido fonte de especulação, incluindo no cinema.
Espada Honjo Masamune – Supostamente foi criada por Gorō Nyūdō Masamune, que viveu entre 1264 a 1343, e é considerado por muitos como o maior fabricante de espadas da história japonesa. A espada recebeu o nome de um dos seus proprietários, Honjo Shigenaga, que a recebeu como prémio após uma batalha no século XVI. A espada mais tarde veio para a posse de Tokugawa Ieyasu, o primeiro shogun do Japão, no século XVI. A espada passou pela família Tokugawa até ao final da II Guerra Mundial, quando foi entregue às autoridades americanas durante a ocupação do Japão. Mas a espada nunca reapareceu. É possível que soldados americanos tenham destruído a espada ou podem-na ter trazido para a América, o que significa que pode ser recuperada.
Biblioteca dos Czares de Moscovo – Continha uma vasta coleção de textos gregos antigos, bem como textos escritos em várias outras línguas. Há alegações de que Ivan IV, mais conhecido como Ivan, o Terrível, que viveu de 1530 a 1584, de alguma forma escondeu os textos da biblioteca. Houve muitas tentativas ao longo dos séculos para encontrar essa “biblioteca oculta”, mas até agora os investigadores.
Jóias da coroa da Irlanda – Roubadas em 1907 do Castelo de Dublin, as “joias da coroa da Irlanda” não incluíam uma coroa – incluíam uma estrela da Ordem de São Patrício, um alfinete de peito de diamante e cinco colares de ouro, tudo propriedade da Coroa”, escreveu Tomás O’Riordan, historiador e gerente de projetos da University College Cork. A Grã-Bretanha controlava a Irlanda na época em que foram criadas, em 1783. As joias foram feitas de 394 pedras retiradas das joias da rainha Charlotte, esposa do rei George III. As joias também continham rúpias de um imperador mogol e possivelmente pedras preciosas fornecidas por um sultão da Turquia, apontou O’Riordan. As joias foram guardadas numa biblioteca e a falta de segurança permitiu o roubo. Quem foi o autor, isso permanece um mistério.
Poemas perdidos de Safo – Poetisa lírica grega, viveu no século VII A.C. e foi o Shakespeare da sua época. Altamente considerada pelos antigos gregos, que a consideravam uma das melhores poetisas. Infelizmente para nós, poucos de seus poemas ainda sobrevivem.
Tesouro do Bispo Morto – Em 1357, um navio chamado ‘São Vicente’ partiu de Lisboa para Avignon, em França, e carregava os tesouros adquiridos por Thibaud de Castillon, bispo de Lisboa que havia falecido recentemente – incluíam ouro, prata, anéis, tapeçarias, joias, pratos finos e até altares portáteis. Enquanto navegava perto da cidade de Cartagena, o ‘São Vicente’ foi atacado por dois navios piratas fortemente armados, cuja tripulação apreendeu o tesouro. Um dos navios piratas foi capturado mais tarde depois de ter encalhado. Mas o outro navio, comandado por Martin Yanes, não se lhe conhece o paradeiro.
Juízes Justos – O painel fazia parte do retábulo de Ghent, uma obra de arte do século XV pintada por Hubert e Jan van Eyck na Catedral de Saint Bavo, em Ghent (Bélgica). O painel foi roubado em 1934 e nunca foi encontrado. No entanto, apesar da passagem do tempo, continuam a chegar pistas e o arquivo do caso, que conta já com mais de 2 mil páginas, ainda está ativo.
Mural perdido de Da Vinci – Em 1505, Leonardo da Vinci pintou um mural representando a vitória de 1440 da Liga Italiana (liderada por Florença) sobre Milão na Batalha de Anghiari. O mural, criado no Palazzo Vecchio, desapareceu em 1563, quando o salão foi remodelado pelo pintor e arquiteto Giorgio Vasari. Em 2012, uma equipa de especialistas anunciou ter descoberto evidências de que o mural não foi destruído e que Vasari tinha simplesmente pintado o seu próprio mural sobre o trabalho de Da Vinci. No entanto, em 2020, outra equipa de investigadores afirmou que Da Vinci nunca pintou o mural. O que aconteceu – e se existiu – é um assunto em aberto.
Menorá do Segundo Templo – Entre aproximadamente 66 e 74 D.C., os rebeldes judeus lutaram contra o exército romano na tentativa de libertar Israel do controlo de Roma. Em 70 D.C., os rebeldes sofreram um golpe crítico quando Jerusalém foi capturada por uma força romana liderada por Tito, um general que mais tarde tornar-se-ia imperador romano. O Segundo Templo, naquela época o local religioso mais importante para o povo judeu, foi destruído e o exército romano levou os seus tesouros de volta a Roma, que incluíam a menorá do templo – um candelabro com seis braços. O seu destino, desde que chegou a Roma, não é claro.
Homem de Pequim – Em 1923, os fósseis de um hominídeo, que viveu há entre 200 mil e 750 mil anos, foi descoberto numa caverna perto da aldeia de Zhoukoudian, perto de Pequim. Os fósseis desapareceram em 1941, durante a invasão japonesa da China, e sua localização hoje é desconhecida. Alguns estudiosos especularam que os fósseis foram perdidos no mar enquanto eram transportados para os Estados Unidos; outros acham que eles podem estar localizados por baixo de um estacionamento na China.
Q Source – Um texto hipotético do primeiro século D.C., que conteria diversos ditos atribuídos a Jesus. Se existisse, os estudiosos acreditam que tenha sido usada por escritores antigos para ajudar e elaborar os evangelhos de Mateus e Lucas – a existência do Q Source baseia-se no facto de várias passagens dos dois evangelhos serem idênticas.
Ouro nazi – Segundo a lenda, perto do final da II Guerra Mundial, uma força nazi liderada pelo oficial das SS Ernst Kaltenbrunner terá afundado uma grande quantidade de ouro no Lago Toplitz, na Áustria, para evitar que fosse capturado pelas forças aliadas invasoras. Desde então, inúmeras buscas foram realizadas, mas, até agora, nada foi encontrado. É possível que a história seja apenas uma lenda e que na realidade nada tenha sido afundado no lago.
Love’s Labour’s Won – William Shakespeare é conhecido por ter escrito a peça “Love’s Labour’s Won”, embora nenhuma cópia tenha sobrevivido. Pode ser uma sequência de “Love’s Labour’s Lost”, uma comédia que Shakespeare escreveu na década de 1590. Alguns estudiosos acreditam que os registros de “Love Labour’s Won” referem-se a outra peça de Shakespeare chamada “Much Ado About Nothing”, que é bem conhecida e ainda é apresentada hoje.
Ovos Fabergé – Entre 1885 e 1916, a joalheria Fabergé, dirigida na época pelo joalheiro russo Peter Carl Fabergé, fez “ovos de Páscoa” ornamentados para a família imperial russa. Dez ovos foram produzidos de 1885 a 1893, durante o reinado do imperador Alexandre III; mais 40 foram criados durante o governo de Nicolau II. A Revolução Russa em 1917 levou à execução de Nicolau II, o último czar da Rússia, juntamente com grande parte da família Romanov. No rescaldo de suas mortes, alguns dos ovos desapareceram e ainda estão desaparecidos até hoje; rumores afirmam que alguns deles estão em coleções particulares em todo o mundo.






