Pode faltar água nas torneiras na região do Algarve, alertou esta terça-feira o jornal ‘Público’ – a campanha de sensibilização da redução de consumos na região, durante o verão, foi um ‘flop’, com os consumos inclusivamente a subirem, o que deixou os autarcas “muitíssimo preocupados”, embora sem soluções concretas.
A época das chuvas (ano hidrológico) começou há dois dias e as seis barragens algarvias apresentam um volume de água de 90 milhões de metros cúbicos, quando as estimativas dos gastos apontam para 110 milhões, segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), apresentados aos autarcas da região. “Se continuar sem chover, temos de pensar em atribuir quotas de distribuição aos municípios, estou muitíssimo preocupado”, referiu o presidente do Conselho da Comunidade Intermunicipal do Algarve- Amal, António Pina.
Para a APA, é necessário o reaproveitamento da água utilizada na lavagem dos filtros das piscinas para a higiene urbana – limpeza de contentores de lixo e ruas. Outra medida proposta seria o uso de água não tratada para consumo nas obras públicas e privadas.
A água, segundo um estudo da Universidade do Algarve, pode mesmo vir a faltar e não há, nos próximos dois e três anos, soluções à vista a não ser esperar que chova. “O sistema está a aproximar-se de uma clara falência e urgem medidas para evitar”, reforçou Nuno Loureiro, investigador universitário. A construção de uma central de dessalinização é “urgente”. “O abastecimento futuro de água aos algarvios não pode ser como novo Aeroporto Internacional de Lisboa”, ironizou.
A manter-se a tendência descrescente, “as seis barragens algarvias deixarão de ter condições efetivas para garantir que a água não faltará nas torneiras algarvias”, em particular a barragem da Bravura, que está “em falência”.




