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Alfândegas a colapsar. Heinz e Tesla entre as gigantes que tentam sobreviver ao ‘tsunami’ burocrático do Brexit

As grandes empresas a operar em ‘terras de Sua majestade’, como é o caso da Tesla e da Kraft Heinz, já estão a correr para evitar a todo o custo uma crise provocada pelo Brexit no final deste ano, já que a falta de despachantes aduaneiros ameaça a sua capacidade de transportar mercadorias entre o Reino Unido e a União Europeia (UE).

A fabricante automóvel e a produtora de ketchup, segundo avança a ‘Bloomberg’, estão entre as empresas que têm lutado para encontrar profissionais do setor alfandegário que possam ajudar a preencher ‘o tsunami’ de nova papelada que se aplicará ao comércio Reino Unido-UE a partir de 2021

Os despachantes aduaneiros estão sem capacidade para atender a procura devido à crescente pressão do Brexit, detalharam fontes próximas, que pediram para manter o anonimato atendendo à confidencialidade destes processos.

A escassez de despachantes e agentes alfandegários está a ser “uma grande dor de cabeça” para as grandes empresas, tal como os preparativos do governo do Reino Unido para o Brexit, porque as mercadorias sem a documentação correta não poderão cruzar as fronteiras a partir de 1 de janeiro do próximo ano, altura em que a Grã-Bretanha sairá do mercado único da UE e da união aduaneira.

As estimativas apontam para que mais 400 milhões de declarações alfandegárias sejam exigidas anualmente no comércio entre o Reino Unido e a UE, num custo de cerca de 15 mil milhões de euros, mesmo que ambas as partes assinem um acordo comercial.

“Estamos a trabalhar rapidamente para garantir que todos os planos de resposta necessários estejam em vigor”, disse a Heinz, em comunicado. “Como parte de nossos preparativos, estamos a considerar opções de suporte aduaneiro interno e externo”, reforçou. A fabricante do ketchup Heinz disse ainda estar confiante de que atenderá aos requisitos necessários.

Representantes da Tesla na Europa e nos EUA não responderam aos pedidos de comentários.

Ainda sobre a escassez de agentes, recorde-se que o setor de logística previu que mais 50 mil agentes alfandegários serão necessários para lidar com a papelada extra para o Brexit. O ministro do Gabinete, Michael Gove, foi questionado várias vezes no Parlamento esta semana sobre quantos já estão a ser formados, mas recusou-se a detalhar esta situação.

A HM Revenue & Customs, autoridade fiscal do Reino Unido, também se recusou a revelar quantos novos agentes estão preparados para entrar em ação. O governo disponibilizou 84 milhões de libras em subsídios para formação alfandegária, mas o HMRC também não esclareceu que parte deste montante já foi utilizada.

A responsável do estado pelos preparativos do governo para o Brexit na fronteira, Emma Churchill, afirmou junto dos legisladores, no início deste mês, que os subsídios financiaram 20 mil cursos de formação alfandegária. O sistema tem sido prejudicado por procedimentos burocráticos lentos e complexos para aceder aos recursos, segundo garantiu finte próxima do programa.

“Estamos no caminho certo para ter as pessoas certas com as habilidades certas até o final do período de transição”, disse o porta-voz de Boris Johnson, James Slack, esta quarta-feira.

Falta de logística

A capacidade das empresas de logística é tão limitada que várias das maiores empresas do mundo estão a recusar trabalho oriundo do processo do Brexit porque já estão esgotados.

A AP Moller-Maersk, o gigante marítimo dinamarquês, está a rejeitar potenciais clientes, enquanto a Kuehne + Nagel International, o grupo de frete suíço, está a aceitar apenas trabalhos alfandegários de empresas para as quais transporta cargas.

Do outro lado deste universo, a Rosslyn Data Technologies, que fornece software que permite às empresas apresentarem as próprias declarações alfandegárias, garante ter multiplicado por cinco o número de serviços, mas já teve que recusar alguns clientes com processos demasiado complexos.

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