Alexandra Reis, antiga administradora da TAP, referiu esta quarta-feira que continua à espera “de indicação para proceder à devolução” da polémica indemnização, mesmo perante “as insistências feitas, três pelo menos”. “Não tive resposta”, reforçou.
A ex-administradora da TAP foi protagonista de uma polémica indemnização de meio milhão de euros que levou a uma remodelação no Governo e à exoneração dos presidentes da companhia. Alexandra Reis é a quarta personalidade ouvida pela comissão parlamentar de inquérito à tutela política da gestão da TAP, constituída por iniciativa do Bloco de Esquerda, depois da Inspeção-Geral de Finanças (IGF), o administrador financeiro da empresa, Gonçalo Pires, e da presidente executiva, Christine Ourmières-Widener.
A polémica saída de alexandra Reis levou à demissão do então ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e do secretário de Estado Hugo Mendes, além da própria Alexandra Reis, que esteve menos de um mês no Governo.
O parecer da IGF, conhecido a 6 de março, indicou que Alexandra Reis “terá de devolver à TAP os valores que recebeu na sequência da cessação de funções enquanto administradora, os quais ascendem a 443.500 euros, a que acrescem, pelo menos, 6.610,26 euros, correspondentes a benefícios em espécie”.
Saída da TAP foi em “total boa-fé”
Alexandra Reis referiu ainda, perante os deputados, que aceitou sair da empresa “com total boa-fé” e que as divergências com a presidente executiva nunca “beliscaram” o compromisso com a implementação do plano de reestruturação.
“Aceitei sair de uma empresa com total boa-fé, à qual me entreguei com todo o meu compromisso”, afirmou a ex-administradora, sublinhando que, enquanto membro da comissão executiva da companhia aérea, manifestou sempre de forma construtiva as suas visões, “mesmo quando estas não eram coincidentes com as da nova CEO”.
“No entanto, e isto é importante, nenhuma delas beliscou uma única vez, repito, uma única vez que fosse, o meu compromisso com a implementação do plano de reestruturação”, sublinhou.
Alexandra Reis indicou ainda que soube, a 25 de janeiro, que iria sair da empresa pública. “A CEO informou-me que pretendia distribuir os meus pelouros e terminar os meus vínculos à empresa e disse que iria contactar advogados. Acedi no dia seguinte a essa solicitação porque não queria criar um problema institucional. Aceitei a contraproposta de acordo da TAP, 500 mil euros brutos pela cessação do meu mandato”, indicou.
Houve “indicações muito claras” para bloquear negócios com empresa do marido da CEO
Alexandra Reis garantiu ainda que deu “indicações muito claras” sobre não haver qualquer contratação àquela empresa (‘Zamma’), que pertence ao marido da atual CEO, Christine Ourmières-Widener. “Eu nunca falei com a CEO sobre as propostas da Zamma. E a CEO nunca me fez qualquer comentário sobre esse assunto”, indicou.
A ex-administradora referiu também que se tratou do “esforço comercial normal” mas que “manteve a equipa de sobreaviso” de que não “faria sentido avançar com esse negócio”, explicou, lembrando que não recebeu informação de que a CEO estaria descontente com essa decisão.





