Alexandra Reis abandonou a TAP mas a TAP não ‘abandonou’ a ex-administradora: há regalias que se mantêm até dezembro de 2024

Alexandra Reis terá de devolver 450 mil dos 500 mil euros que recebeu de indemnização, uma situação que a antiga administradora discordou do parecer da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) mas assegura que por “vontade própria” devolverá o montante indicado pela entidade, lamentando “os ataques de caráter” de que foi alvo

Francisco Laranjeira

Alexandra Reis pode ter abandonado a TAP mas a TAP não ‘abandonou’ a antiga administradora da companhia aérea, pese embora a indemnização de 500 mil euros: apesar da sua saída, em fevereiro de 2022, a ex-secretária de Estado mantém algumas das regalias pela sua passagem na empresa pública, segundo revelou esta quarta-feira a ‘TVI’.

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O relatório da IGF (Inspeção-Geral das Finanças) apontou algumas das regalias do contrato de Alexandra Reis com a TAP: 24 mil euros de prémio de assinatura, além de telemóvel para uso pessoal e computador portátil. Beneficiava também de descontos de viagens na TAP, três dias de férias extras devido à assiduidade, complemento de subsídio de doenças, seguro de vida e seguro de saúde para si e para a família. Por último, dispunha de viatura da empresa.

Apesar da polémica saída, algumas das condições continuam em vigor – mantém-se o desconto nos bilhetes da TAP para si e para a família, nas mesmas condições ao nível dos membros da comissão executiva da empresa. Garantiu ainda a posse da viatura até setembro de 2022, sete meses depois da sua saída. O seguro de saúde mantém-se ativo até março de 2024, por conta da TAP, assim como o seguro de vida, que será pago pela companhia aérea até dezembro de 2024. Por último, o computador e telemóvel podem ser adquiridos por Alexandra Reis por um valor residual e qualquer assistência jurídica dos processos levantados enquanto administradora será paga pela companhia aérea.

Alexandra Reis terá de devolver 450 mil dos 500 mil euros que recebeu de indemnização, uma situação que a antiga administradora discordou do parecer da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) mas assegura que por “vontade própria” devolverá o montante indicado pela entidade, lamentando “os ataques de caráter” de que foi alvo.

A IGF concluiu que o acordo celebrado para a saída de Alexandra Reis da TAP é nulo, adiantou hoje o Governo, que vai pedir a restituição dos valores.

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“Não posso, pois, concordar com o relatório da IGF, ou seja, com um parecer, e que não é mais que isso, que reescreve o que se passou para dar aquela que é provavelmente a resposta mais fácil”, mas “todavia, equivocada”, afirma Alexandra Reis, num comunicado enviado às redações.

Mas, “para que não restem quaisquer dúvidas, e como afirmei desde o início, não quero ter um euro sobre o qual recaia a mínima suspeita”, asseverou a gestora.

“Aceitei sair de uma empresa, à qual me entreguei com todo o meu compromisso e dedicação na defesa dos seus interesses, num dos momentos mais difíceis da sua existência, em total boa-fé, e, embora discorde do parecer da IGF e nada me obrigue a isso, reafirmo o que sempre disse que faria: por minha vontade própria devolverei o que indica a IGF, lamentando os ataques de caráter de que fui alvo nos últimos meses e com os olhos postos no futuro”, sublinhou Alexandra Reis.

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