Alertas nos telemóveis, abrigos antiaéreos e garrafas de água: Israel prepara-se para ataque iminente do Irão

No passado sábado, a Guarda Revolucionária do Irão salientou que a sua resposta ao ataque será “severa e no momento, local e forma apropriados”. De acordo com os serviços de informação de Israel e dos Estados Unidos, o ataque está iminente, o que deixa a população israelita em alerta

Francisco Laranjeira

Há 10 anos, o comando da retaguarda do exército israelita – encarregado de dar instruções à população civil em caso de guerra ou desastre natural — estabeleceu um sistema para enviar alertas para telemóveis de uma área, sem necessidade de descarregar qualquer aplicação ou ter cobertura de rede. Este domingo, indica o jornal espanhol ‘El País’, foi acionado em modo teste, com Israel em tensão máxima perante a retaliação anunciada pelo Irão e os seus aliados.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

O sistema, que não substitui a aplicação que os israelitas (especialmente em áreas próximas de Gaza, Líbano ou Síria) utilizam para receber avisos da chegada de rockets e drones, é um dos preparativos para a esperada retaliação.

No passado sábado, a Guarda Revolucionária do Irão salientou que a sua resposta ao ataque será “severa e no momento, local e forma apropriados”. De acordo com os serviços de informação de Israel e dos Estados Unidos, o ataque está iminente, o que deixa a população israelita em alerta – é o caso de Mijal e Raymonde, que vivem em Modiín, cidade entre Jerusalém e Telavive.

Para Mijal, o pior não é a incerteza: na sua casa, tem uma caixa na chamada ‘sala segura’ com um rádio, uma lanterna e garrafões de cinco litros de água. “Aqui, se acontecer alguma coisa, nem saberia muito bem para onde ir nem como reagir”, lamenta.

O exército israelita estima que o ataque durará alguns dias e que aliados como o Hezbollah, os Houthis do Iémen ou milícias amigas no Iraque e na Síria participarão: tudo se concentrará nas bases militares e nos pontos estratégicos do norte, embora sem excluir Telavive, devido ao equilíbrio simbólico na dissuasão.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Na terceira cidade de Israel, Haifa, os seus habitantes pareçam mais resignados do que nervosos. Não só pela proximidade ao Líbano, por ter sido alvo na guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah e por ter aparecido nos discursos do líder do Hezbollah, Hasan Nasrallah, mas também por albergar o porto mais importante do país. Em junho último, a milícia libanesa divulgou imagens da localização estratégica, capturadas por um drone, que deixou uma mensagem assustadora: se podemos enviar um drone para captar imagens, podemos enviar um com explosivos. O presidente da câmara, Yona Yahav, admitiu que esperava que a população local – cerca de 280 mil pessoas – tivesse de permanecer “pelo menos quatro dias seguidos” em abrigos antiaéreos e parques de estacionamento.

Camas hospitalares num estacionamento

O Rambam, o principal hospital da região, converteu parte do estacionamento subterrâneo numa unidade de emergência onde pode implantar mais de 2 mil camas em 72 horas. A câmara local instalou portas que podem ser abertas com controlo remoto nos 110 abrigos públicos, cuja distribuição por bairros fez a minoria palestiniana (cerca de 15% da população da cidade) se sentir discriminada.

Um documento do exército israelita, enviado aos autarcas do norte do país, apontou a possibilidade de três dias de cortes de energia elétrica em algumas localidades, quedas no abastecimento de água, na rede móvel e telefones fixos durante um dia.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.