Em pouco mais de três semanas contam-se quatro casos de crianças que morreram no Reino Unido vítimas de uma infeção bacteriana com estreptococos do grupo A invasiva (iGas). A Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA) já alertou que, este ano, os números de infeções por iGas “são mais altos” do que nos últimos dois anos, e as autoridades inglesas já estão a tomar medidas.
O mais recente caso confirmado é o de Muhammad Ibrahim Ali, de quatro anos, que morreu em Buckinghamshire a 17 de novembro. “Este é um caso trágico e os nossos pensamentos estão com a família e amigos dele nesta altura tão triste. Estamos a dar conselhos às escolas e crescer para prevenir mais casos e continuaremos a monitorizar a situação”, garantiu Jull Morris, consultora da proteção em saúde da (UKHSA).
Momentos antes de confirmar a morte de Muhammad Ibrahim Ali devido a uma infeção bacteriana invasiva com estreptococos do grupo A, a mesma agência havia revelado outro caso, o terceiro em duas semanas, ocorrido em Ealing. Nos últimos sete dias, já outros dois casos de infeção fatal tinham sido revelados, em Cardiff e em Surrey
O que são estreptococos do grupo A (GAS)?
Estreptococos do grupo A são um tipo de bactérias encontradas na garganta e na pele e, na maioria das pessoas ‘colonizadas’ não causa quaisquer sintomas. No entanto, pode causar uma grande variedade de doenças no nariz, garganta e pulmões.
Transmite-se através de tosse, espirros e contacto com a pele. Quem tem a bactéria sem quaisquer sintomas tem tanta probabilidade de a transmitir como quem está doente.
Que sintomas/doenças causa?
Sintomas de uma infeção bacteriana por estreptococos do grupo A incluem dor ao engolir, amígdalas inchadas e com manchas brancas, glândulas do pescoço inchadas, febre e erupções cutâneas.
A bactéria pode também causar amigdalite, faringite, escarlatina, infeções de pele como o impetigo, celulite e pneumonia. A maior parte de casos de infeções na garganta melhora com tratamento, mas infeções na pele podem necessitar de tratamento com antibióticos.
No entanto, as bactérias estreptococos do grupo A também podem, raramente, causar doença muito severa, conhecida como infeção por estreptococos do grupo A invasiva (iGas).
A iGas acontece quando a bactéria consegue ultrapassar as defesas naturais do corpo e chegar a outra partes do organismo, como sangue, tecidos musculares profundos ou pulmões. As formas mais severas são o Síndrome de Choque Tóxico Estreptococal (febre alta, baixa pressão arterial, escarlatina, danos nos rins ou fígado, vómitos e diarreia) e a Fascite Necrotizante, que causa a destruição completa dos tecidos e necessita de cirurgia. Ambos os casos são raros, mas têm alta taxa de mortalidade.
Quão perigosa é e quem está mais em risco?
Uma infeção pode tornar-se grave, mas, se tratada com antibióticos, será sempre menos uma ameaça. Depois de 24 horas sob tratamento, os doentes já não são contagioso.
Os grupos populacionais mais em risco de contrair a infeção são: as pessoas que tenham tido contacto com alguém que tem estreptococos do grupo A, pessoas com mais de 65 anos, doentes com VIH, pessoas que usam esteroides ou outras drogas e quem tem diabetes, doenças cardíacas ou cancro.
Reino Unido toma medidas
“Infeções com estreptococos do grupo A normalmente resultam em doença leve, e temos partilhado informação com os pais, professores e funcionários escolares sobre os sinais e sintomas. Em raras incidências, pode tornar-se doença grave, e qualquer pessoa com febres altas, dores musculares intensas, vómitos ou diarreia sem explicação, devem contactar as autoridades de saúde e procurar um médico imediatamente”, explica Yimmy Chow, médico e consultor na UKHSA.
Os especialistas ingleses sugerem que o aumento de casos desta infeção bacteriana, face a anos anteriores, está diretamente relacionado com o fim das medidas de prevenção, impostas no âmbito da pandemia da Covid-19, como o uso de máscaras ou o distanciamento físico.
As autoridades de saúde inglesas estão em contacto permanente com as escolas afetadas e estão a disseminar informações a pais, educadores, professores e funcionários de escolas sobre como identificar possíveis casos de infeção e como lidar com estes, enquanto ainda não há medidas mais robustas para travar o problema.
A UKHSA recomenda a todos os que sejam infetados que não vão a creches, escolas ou local até 24 horas depois de começar o tratamento com antibióticos.














