Alemanha vai dar (sim, dar) 1200 euros por mês e sem fazer perguntas

A Alemanha vai avançar com uma experiência alargada da introdução de uma renda básica universal.

Sónia Bexiga

Um grupo de investigadores na Alemanha prepara-se para dar a um grupo de pessoas cerca de 1100 euros por mês, sem qualquer tipo de condições, no âmbito de uma ambiciosa experiência que visa avaliar os potenciais benefícios da introdução de uma renda básica universal mais ampla (UBI).

Esta ideia radical tem vindo a atrair um interesse crescente em todo o mundo, assumindo-se como uma forma de potencialmente apoiar as pessoas durante a pandemia do coronavírus mas no período pós-pandemia também.

Os defensores afirmam que uma pequena renda regular do Estado para todos os cidadãos ajudaria a combater a pobreza, encorajaria práticas de trabalho mais flexíveis e permitiria que algumas pessoas passassem mais tempo a cuidar dos familiares mais velhos.

Segundo avança o ‘Independent’, este estudo piloto alemão conta inicialmente com 120 pessoas a quem será entregue a quantia mensal de 1.200 euros e através dos quais pretende monitorizar como este apoio pode mudar os seus padrões de trabalho e tempo de lazer.

O pesquisador Jurgen Schupp – que lidera o projeto ‘Minha Renda Básica’ no Instituto Alemão de Pesquisa Económica, com sede em Berlim – frisa que pretende aferir como um “fluxo de dinheiro confiável e incondicional afeta as atitudes e o comportamento das pessoas”.

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Schupp, em declarações ao ‘Der Spiegel’, salientou ainda que “até agora, o debate sobre a renda básica tem sido como um salão filosófico na melhor das hipóteses e uma guerra de fé na pior. É, em ambos os lados, moldado por clichés”.

“Os oponentes afirmam que com uma renda básica as pessoas parariam de trabalhar e ficariam deitados no sofá a comer fast-food e a consumir serviços de streaming”, reforçou, acrescentando que os defensores, por seu turno, consideram que “as pessoas continuarão a fazer um trabalho gratificante, vão tornar-se mais criativas e generosas e salvarão a democracia. Podemos melhorar isso [debate] se substituirmos esses estereótipos por conhecimento empiricamente comprovado”.

Os 120 beneficiários da bolsa serão estudados, inicialmente, contra um grupo de comparação de 1.380 pessoas que não recebem nenhum pagamento em dinheiro.

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No entanto, os académicos por trás do estudo querem encontrar 1 milhão de candidatos para uma participação mais ampla até novembro deste ano. Desse grupo, 1.500 pessoas serão então selecionadas para uma experiência de renda durante três anos.

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