Alemanha ativa plano de emergência para garantir fornecimento de energia

Berlim, que depende da Rússia para mais de 50% do seu gás natural e carvão, iniciou a primeira das três fases do plano, sinalizando que há sérios sinais de que a situação do fornecimento se vai agravar.

Simone Silva
Março 30, 2022
10:13

A Alemanha ativou um plano de emergência para se preparar para um possível corte de gás russo, enquanto o presidente Vladimir Putin intensifica as exigências de que o combustível seja pago em rublos, avança a ‘Bloomberg’.

Berlim, que depende da Rússia para mais de 50% do seu gás natural e carvão, iniciou a primeira das três fases do plano, sinalizando que há sérios sinais de que a situação do fornecimento se vai agravar, anunciou o ministro da Economia, Robert Habeck, esta quarta-feira.



“Trata-se de monitorizar a situação”, disse Habeck em conferência de imprensa. “Há mais duas etapas, o alerta e a fase de emergência, mas ainda não chegámos lá. A situação teria que piorar dramaticamente para atingirmos esses estágios. Seria necessária uma mudança nas linhas de fornecimento e teríamos que reagir de acordo com isso”, explicou.

Um grupo de energia que representa os principais fornecedores de gás e eletricidade da Alemanha já tinha incentivado o governo a acionar o plano de emergência, dizendo que não poderia descartar eventuais interrupções. Com este anúncio de Habeck, uma task-force deve agora reunir-se diariamente para monitorizar o estado do consumo de gás e dos stocks.

O ministro pediu que empresas e consumidores ajudem, reduzindo o uso de energia sempre que possível. Autoridades do governo também conversarão com fornecedores de energia e grandes consumidores para discutir como priorizar o uso do gás. Por enquanto, os armazéns estão 25% cheios e o governo não tem de intervir no mercado.

“Apenas na terceira fase, o Estado vai intervir e regular o fluxo de gás”, disse Habeck, acrescentando que o regulador de energia Bundesnetzagentur “irá decidir naquele momento que regiões e setores da indústria serão atendidos em caráter secundário”.

O impasse entre a Europa e a Rússia está a ameaçar destruir os mercados de energia, com os preços do gás europeu a subir até 15%. As indústrias alemãs podem fechar numa questão de semanas, se o fornecimento da Rússia for cortado, com o governo a ter já conversado com várias empresas sobre um possível racionamento.

O anúncio alemão surge numa altura em que o Kremlin quer que as empresas de energia europeias paguem pelo combustível na moeda russa, um pedido que vários países consideraram uma quebra de contrato.

Putin ordenou que o seu governo, o banco central e a Gazprom preparassem todos os documentos necessários para a mudança para rublos até quinta-feira, com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a dizer que a Rússia não forneceria gás gratuito. Mais de 50% dos contratos de longo prazo da Rússia são liquidados em euros.

Por sua vez, a União Europeia (UE) está a tentar livrar-se do gás russo em resposta à guerra na Ucrânia, com um plano para reduzir a dependência em dois terços este ano. Isso significaria comprar menos combustível do que atualmente acordado em contratos de longo prazo, um movimento que também pode significar uma violação desses acordos.

“Cada parte está a tentar punir a outra”, disse Anne-Sophie Corbeau, investigadora do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, à ‘Bloomberg’. “Esta foi a maneira da Rússia de contrariar o plano da Europa de reduzir a dependência em dois terços”, sublinhou.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.