Aldeia ‘fechada’ na fronteira israelo-libanesa recebe visitantes após 22 anos

Ghajar é o lar de 2.700 pessoas nos Montes Golan, que se encontra na separação entre Israel e o Líbano. As casas são pintadas com cores vivas, as estradas e rotundas são decoradas com fontes e dispõe de um parque público, onde sobressai a natureza.

Beatriz Maio

As mentalidades vão mudando e com elas as tradições e proibições. A aldeia com o nome de Ghajar, situada na fronteira israelo-libanesa, vai receber visitantes após 22 anos.

Os turistas podem agora passear nas ruas pacatas e comprar produtos locais, como gelado e sumo fresco a vendedores ambulantes, assim como apreciar as estátuas públicas do Imã Ali – sucessor de Maomé venerado no Islão – e o trabalho dos agricultores libaneses do outro lado do vale.

Ghajar é o lar de 2.700 pessoas nas Colinas de Golã, que se encontra na separação entre Israel e o Líbano. As casas são pintadas com cores vivas, as estradas e rotundas são decoradas com fontes e dispõe de um parque público, onde sobressai a natureza.

Depois de mais de 20 anos, esta zona militar decidiu permitir a entrada de visitantes apenas com autorização especial do conselho municipal e das Forças de Defesa de Israel (IDF). Contudo, no início de setembro, sem aviso prévio, as FDI e a polícia israelita anunciaram que já não iriam exigir identificações no posto de controlo à entrada da aldeia, relata o jornal The Guardian.

Hani, um israelita de 46 anos, foi um dos cerca de três mil visitantes de Ghajar em outubro. “Venho frequentemente às colinas sírias na época das maçãs. Ouvi dizer que Ghajar estava aberto e quis vir”, contou ao revelar como a decisão de permitir que a aldeia seja visitada transmite esperança. “É muito interessante. Esperemos que toda a fronteira se abra um dia, permitindo o intercâmbio cultural”.

Continue a ler após a publicidade

De ressaltar porém, que é necessário escolher o vestuário apropriado: as mulheres devem tapar a pele com vestidos ou saias compridas e as mais velhas têm também de cobrir o cabelo. A aldeia é conservadora e, normalmente, os seus habitantes optam por construir as suas vidas ali.

Ghajar é ainda conhecida pela comida tradicional sírio-libanesa, como o shanklish – grandes bolas de queijo espesso e seco, revestido com uma mistura de ervas e especiarias –, mitabla – trigo e milho cozido em leite – e bisara, um guisado.

Ao contrário do resto de Golã, que Israel ocupa desde 1967, Ghajar é tratado como parte oficial de Israel, tendo os seus residentes sido pressionados a pedir a cidadania israelita em 1981.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.