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“Alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060”. Promessa da China pode ser decisiva para crise climática

O Presidente da China, Xi Jinping, surpreendeu a Assembleia Geral das Nações Unidas esta terça-feira com uma promessa ambiciosa. “O nosso objectivo é atingir o pico das emissões de dióxido de carbono (CO2) antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060”, disse Xi Jinping na reunião anual, que está a ser maioritariamente virtual devido à pandemia.

“A humanidade não pode continuar a ignorar os repetidos avisos da Natureza”, sublinhou, citado pelo Independent.

A promessa de Xi Jinping pode tornar-se um momento decisivo na crise climática global – foi a primeira vez que a China, o maior emissor mundial de gases com efeitos de estufa, se comprometeu a deixar de contribuir para o aquecimento global, que está a empurrar o planeta para uma catástrofe irreversível.

O Presidente Jinping falou minutos depois de Donald Trump, que criticou a China e pediu à ONU “para os responsabilizar” pelo surto de covid-19.

Trump afirmou também que os Estados Unidos reduziram as suas emissões de carbono mais do que qualquer outro signatário do Acordo Climático de Paris. No entanto, o Climate Action Tracker, uma análise científica independente que acompanha os esforços governamentais sobre o acordo de Paris, concluiu que os EUA são “criticamente insuficientes” quando se trata de reduções de emissões.

Os Estados Unidos, tal como outros grandes poluidores, como a Índia, a Rússia, o Irão, a Arábia Saudita, o Brasil e a Austrália, não estabeleceram qualquer objectivo em termos de emissões.

Trump, que chamou às alterações climáticas “uma farsa”, está decidido a retirar-se do acordo de Paris se for reeleito nas presidenciais de 3 de Novembro.

Com a China, 30 países têm agora diferentes compromissos de neutralidade de carbono, que significa a não libertação de carbono adicional para a atmosfera. No total, representa cerca de 43% das emissões mundiais de CO2 resultantes da queima de combustíveis fósseis.

A promessa de carbono de Xi também deu alguma publicidade positiva à China, numa altura de crescente indignação internacional pela severa restrição dos direitos civis em Hong Kong, e acusações generalizadas de detenções de minorias muçulmanas na região de Xinjiang.

No passado, a China defendeu que, enquanto economia em desenvolvimento, não deveria ser obrigada aos mesmos compromissos de redução que as nações desenvolvidas, como os Estados Unidos e a Europa, cujas décadas de poluição desenfreada conduziram ao aquecimento global.

Mas a pressão internacional tem vindo a aumentar na China, que se comprometeu, no âmbito do acordo de Paris de 2016, a ter o seu pico de emissões por volta de 2030.

Os líderes da União Europeia, que se estão a comprometer com a neutralidade de carbono até 2050, apelaram à China no início deste mês para balizar a meta até 2060 ou a enfrentar tarifas de carbono punitivas.

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