Ajustes diretos: Estado contratou pai, mãe e irmão da ministra da Cultura

É mais um caso polémico. A Câmara de Lisboa (PS) e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (tutelada pelo Governo) contrataram empresas detidas a 100% pela família direta da ministra da Cultura, Graça Fonseca. Gastaram 177.845 euros em ajustes diretos.

Executive Digest

Depois da alegada violação da lei das incompatibilidades por parte do secretário de Estado da Proteção Civil, que levou o primeiro-ministro a pedir um parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, a Sábado adianta que há outros casos de ministros com familiares diretos que fizeram negócios com o Estado. É o caso da ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Diz a revista que  a Câmara de Lisboa (PS) e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (tutelada pelo Governo) contrataram empresas detidas a 100% pela família direta de Graça Fonseca (ministra da Cultura).

O registo de interesses de Graça Fonseca refere que tem 8% de duas empresas. A Joule Internacional Serviços de Engenharia e a Joule Projetos, Estudos e Coordenação. Mas, de acordo com a Sábado, “é omitido o facto de o restante capital social estar na posse do pai (João Fernando Caetano Gonçalves), da mãe (Isabel Maria Gonçalves Fonseca Alves Caetano Gonçalves) e do irmão (Luís Miguel da Fonseca Caetano Gonçalves).”

“As duas empresas, ligadas à engenharia eletrotécnica, têm cinco contratos contraídos com o estado pelo menos desde 2016, sendo que em 2015 Graça Fonseca tornou-se titular de órgão de soberania”, adianta a referida publicação, acrescentando que os cinco ajustes diretos totalizam 177.845 euros e apenas a duas entidades: a Câmara Municipal de Lisboa e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Dois desses contratos, diz a Sábado, foram para a reabilitação do Palácio de São Roque”, onde será feito um museu.

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Recorde-se que as empresas de familiares de titulares de cargos políticos e públicos com mais de 10% do capital não podem fazer contratos com o Estado.

O incumprimento da lei pode levar à demissão, no caso de cargos eletivos, ou destituição, no caso dos cargos públicos, nomeadamente quanto à exclusividade de funções, de contratos de empresas do próprio com o Estado ou quanto à obrigação de apresentar as declarações.

A lei das incompatibildades e impedimentos tem estado, nos últimos dias, no centro do debate político, devido à polémica das notícias em torno do filho do secretário de Estado da Proteção Civil que, através de uma empresa em que é acionista, fez três contratos com o Estado.

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Além do filho do secretário de Estado da Proteção Civil e da ministra da Cultura, há outros familiares de ministros que têm contratos com o setor público. Segundo o Observador, é o caso da ministra da Justiça e do ministro das Infraestruturas.

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