Agricultores de toda a União Europeia concentram-se hoje, em Bruxelas, numa grande manifestação contra a política agrícola europeia, a nova proposta da Comissão Europeia para a Política Agrícola Comum (PAC) e o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A iniciativa foi convocada por vários sindicatos europeus do setor agrícola e é organizada pela Copa-Cogeca, a principal central sindical agrícola europeia.
Portugal marca presença através da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), que participa na mobilização com uma comitiva composta por mais de duas dezenas de representantes, liderada pelo presidente, Álvaro Mendonça e Moura, e pelo secretário-geral, Luís Mira.
A manifestação decorre ao longo da tarde, com início marcado para as 12h00 locais (mais uma hora do que em Lisboa), na Boulevard du Jardin Botanique, seguindo depois um percurso pelo centro da capital belga, com várias paragens para intervenções e ações simbólicas, terminando na Place du Luxembourg.
No centro do protesto está a contestação à proposta da Comissão Europeia para a próxima Política Agrícola Comum, em particular a redução do orçamento destinado à agricultura no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia. Segundo a CAP, os agricultores portugueses e europeus manifestam-se contra uma proposta que prevê uma diminuição significativa dos apoios ao setor agrícola, num momento em que o orçamento global da União aumenta.
Em comunicado, a confederação sublinha que os agricultores protestam “contra a proposta da Comissão Europeia de redução do orçamento destinado à agricultura no próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia”, considerando que a alteração da arquitetura da PAC representa um retrocesso numa política que sempre foi um dos pilares do projeto europeu.
São esperados cerca de 12 mil agricultores provenientes de todos os Estados-membros, unidos na oposição às mudanças propostas para a PAC e ao impacto que estas poderão ter na sustentabilidade económica e social do setor agroalimentar europeu.
CAP alerta para impacto negativo em Portugal
O presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, alerta para as consequências particularmente gravosas que estas políticas poderão ter para países como Portugal. O dirigente considera que as opções da Comissão Europeia são difíceis de compreender, sublinhando que se trata da única política verdadeiramente comum da União.
Álvaro Mendonça e Moura afirma que “estas políticas representam um retrocesso para a PAC, a única política verdadeiramente comum na Europa”, acrescentando que não se compreende que, num contexto em que o orçamento da União Europeia cresce 40%, se proponha “uma redução de 20% para a agricultura, dando prioridade a outras áreas, como o investimento em defesa”.
O responsável destaca ainda que a fusão do desenvolvimento rural com a coesão territorial poderá agravar as desigualdades entre Estados-membros, alertando que, com estas opções, “Portugal será muito mais prejudicado do que outros países”.
Além da política agrícola, a manifestação de hoje em Bruxelas integra também a contestação ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que vários sindicatos agrícolas consideram prejudicial para os produtores europeus. Os agricultores temem que o acordo aumente a concorrência de produtos provenientes de países terceiros, com regras ambientais e sociais menos exigentes, colocando em risco a viabilidade económica das explorações agrícolas na União.
A CAP exige, por isso, uma revisão das opções políticas europeias e defende “uma PAC justa e capaz de responder aos desafios do setor agroalimentar”, sublinhando a necessidade de garantir rendimentos justos aos agricultores, segurança alimentar e coesão territorial.
A marcha tem início ao meio-dia na Boulevard du Jardin Botanique, seguindo depois pela Boulevard Bischoffsheim, Boulevard du Régent e Rue de la Loi. Entre as 13h00 e as 13h45, está prevista uma primeira paragem entre a estação de Maelbeek e a Rue de Trèves, onde terão lugar os primeiros discursos, incluindo intervenções dos presidentes e vice-presidentes da Copa-Cogeca em várias línguas, bem como uma ação visual.
A manifestação prossegue depois pela Rue de Trèves, Rue Montoyer, Rue Marie de Bourgogne e Rue du Luxembourg, culminando entre as 14h15 e as 15h30 com uma paragem final na Place du Luxembourg, junto às instituições europeias.
*Com Lusa














