Afinal quem é que manda? Bolsonaro “puxa dos galões” e exige prioridade à economia e não à pandemia

Esta declaração foi interpretada como um recado direto ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, cujo trabalho Bolsonaro critica diariamente.

Sónia Bexiga

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou, numa clara subida de tom, na última reunião do governo realizada em Brasília, que “ele é o presidente, por isso quem manda é ele e que o combate ao coronavírus não pode sobrepor-se à economia”.

A reunião, segundo detalha o ‘CM’, tinha como principal tema o combate à pandemia do coronavírus, que no Brasil já infetou mais de 25 mil pessoas e matou mais de 1500.

Esta declaração foi interpretada como um recado direto ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, cujo trabalho Bolsonaro critica diariamente por orientar a população no sentido de ficar em isolamento, como forma de salvar vidas.

De acordo com participantes na reunião, “Bolsonaro repetiu mais de uma vez que é ele que está no comando e que todos são obrigados a obedecer, concordem ou não com ele”.

Sublinhando, uma vez mais, que está em contramão com o mundo e que não dá importância aos avisos da Organização Mundial da Saúde (OMS), nem para o facto das infeções e mortes por covid-19 estarem a disparar no Brasil, Bolsonaro reafirmou que o seu foco não é o combate à pandemia.

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O presidente brasileiro, assertivo e firme, ressalvou que o seu foco é a recuperação da economia, fortemente abalada, no Brasil como no resto do mundo, pelas medidas de quarentena adotadas como principal forma de evitar o aumento da propagação do vírus, e que o Ministério da Saúde  tem de respeitar essa determinação e combater a doença pensando na economia do país.

Como primeiro resultado dessa posição de força de Bolsonaro, demitiu-se na manhã desta quarta-feira o secretário Nacional de Vigilância em Saúde, o epidemiologista Wanderson Oliveira.

Foi Wanderson quem, a pedido do ministro Mandetta, criou no ministério da Saúde a estratégia do distanciamento social como forma de conter o coronavírus, e era quem, diariamente, conversava com os secretários regionais de Saúde de todo o Brasil, a quem ajudava com orientações técnicas e o envio de profissionais e equipamentos.

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