Os serviços de Urgências de Ginecologia e Obstetrícia nos hospitais portugueses têm feito notícia pela frequência com que fecham, pelo que as grávidas podem, de acordo com os psicólogos, sentir-se ansiosas, abandonadas e inseguras, o que fragiliza a saúde emocional e trazer consequências físicas e psicológicas, mesmo após o parto. No entanto, de acordo com a ‘CNN Portugal’, é possível controlar essa angústia.
“Olho para as notícias e penso nisso mesmo, em como é que elas sentem”, refere Catarina Lucas, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. “O impacto disto é significativo, o período de gravidez é já gerador de ansiedade e medos.” “Há muita incerteza”, indicou. “Tudo o que as grávidas não querem é lidar com a ideia de ‘onde afinal vou ter o meu filho?'”
Já Débora Bento Correia, psicóloga clínica do Coletivo Transformar, salientou que “a disponibilidade dos cuidados de saúde, sobretudo onde e como serão atendidas em casos de emergência”, o que traz angústia às grávidas, reféns de “um sentimento de vulnerabilidade, medo e insegurança”. A psicóloga Ana Valente referiu a “sensação de insegurança e falta de acolhimento” vividas pelas grávidas, sobretudo quando sentem que “os recursos à sua volta não as protegem”.
Miguel Ricou, psicólogo e presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica e da Saúde da Ordem dos Psicólogos Portugueses, sustentou que as adversidades vividas em alguns hospitais públicos agravam “os sintomas ansiosos”, que pode agravar-se numa mulher com “um quadro de ansiedade já existente”. A opinião foi sustentada por Catarina Lucas, referindo que as grávidas se sentirem “mais isoladas e longe do suporte emocional”, sobretudo quando são encaminhadas para unidades longe da sua área de residência.
“O fecho de maternidades e urgências obriga estas mulheres a procurarem alternativas com as quais podem não estar familiarizadas, o que pode aumentar a perceção de risco e o medo do desconhecido pelo facto de terem que recorrer a um novo ambiente e profissionais com a qual não estavam tão confortáveis”, indicou Débora Bento Correia. “Em casos mais extremos estas circunstâncias podem ser percebidas como uma forma de abandono o que origina sentimentos de desamparo e desvalorização, impactando negativamente a autoestima destas mulheres e a sua confiança em cuidarem de si mesmas e do bebé.”
De acordo com o SNS (Serviço Nacional de Saúde), a ansiedade causar tensão muscular, tremores, tonturas e formigueiros. Há o risco de “hipertensão gestacional e parto prematuro”, assim como de “distúrbios do sono e, em alguns casos, até depressão pré-natal”, acrescentou Débora Bento Correia. O stress, acrescentou Miguel Ricou, “pode trazer implicações físicas até no próprio trabalho de parto”. “É evidente que não podemos vender que está tudo bem, mas é preciso conseguir transmitir tranquilidade e que vai haver resposta à altura”, lembrou, aconselhando as grávidas a confiar na “responsabilidade dos profissionais de saúde”.
Para se proteger, é essencial o controlo, sustentou Catarina Lucas. “O ser humano precisa de sentir algum controlo, até ilusório, para ter recursos para conseguir gerir os imprevistos.” E este passa pela informação, que deve ser “filtrada”, indicou Ana Carina Valente: as grávidas têm de “perceber quais os recursos que efetivamente têm”, quais os hospitais próximos, para onde ligar e a quem pedir socorro em caso de necessidade”.
“Procurar informação clara e precisa sobre as opções de saúde disponíveis na sua área de residência e fora dela é fundamental para diminuir a incerteza”, reforçou Débora Bento Correia. “Estabelecer expectativas realistas sobre o processo de gravidez e o parto” é determinante para evitar a frustração e a ansiedade, até porque, “considerando o cenário atual”, manter algum realismo “pode ajudar a mitigar frustrações e angústia”.














