Afinal não é só em Portugal: novo sistema europeu de fronteiras gera filas de horas nos aeroportos

Alerta é do organismo que representa os aeroportos do continente, que pede uma revisão urgente do calendário de implementação do Sistema de Entrada e Saída, conhecido como EES

Francisco Laranjeira

O novo sistema digital de controlo de fronteiras da União Europeia está a provocar tempos de espera de várias horas nos aeroportos europeus, com filas que chegam às três horas no controlo de passaportes. O alerta é do organismo que representa os aeroportos do continente, que pede uma revisão urgente do calendário de implementação do Sistema de Entrada e Saída, conhecido como EES.

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Segundo o ‘The Independent’, o Conselho Internacional de Aeroportos na Europa avisa que o tempo médio gasto nas verificações de fronteira aumentou cerca de 70% desde o início da aplicação do novo sistema, em outubro último. Durante esta fase de transição, os cidadãos de países extra-comunitários continuam a ter os passaportes carimbados, mas passam também a ser sujeitos ao registo de impressões digitais e à recolha de dados biométricos faciais.

Atualmente, apenas cerca de 10% dos viajantes são registados digitalmente, mas essa percentagem deverá subir para 35% a partir de 9 de janeiro de 2026, de acordo com o calendário definido por Bruxelas. Para Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europa, os constrangimentos já são significativos e a subida desse limite poderá agravar a situação. “Os viajantes estão a sofrer desconforto real e as operações aeroportuárias estão a ser afetadas”, alertou, sublinhando que a evolução do sistema pode gerar congestionamentos ainda mais severos e até riscos de segurança.

Portugal entre os países mais afetados

De acordo com o ‘The Independent’, o impacto mais grave do EES está a ser sentido em aeroportos de países como França, Alemanha, Grécia, Itália, Espanha e Portugal. No caso português, os problemas tornaram-se particularmente visíveis no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde se registaram tempos de espera superiores a três horas nos últimos dias.

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A Polícia de Segurança Pública confirmou a existência de uma dificuldade técnica no sistema de controlo de fronteiras, alheia à PSP, que tem provocado longas filas desde o início da semana. A ANA Aeroportos de Portugal também reconheceu “tempos de espera elevados”, garantindo que tem colaborado com as autoridades e prestado apoio aos passageiros, nomeadamente com a distribuição de água e comida.

A PSP assegura estar a operar com “capacidade máxima”, com todos os postos de fronteira ocupados, mas admite que o novo sistema europeu tem agravado os tempos de espera desde que entrou em funcionamento, a 12 de outubro, sobretudo em Lisboa.

Governo admite falhas e avalia suspensão temporária

Perante a situação, o Governo criou uma task force de emergência para gerir a crise nos aeroportos. O Sistema de Segurança Interna admitiu que o EES poderá ser suspenso pontualmente durante o período do Natal, uma decisão já autorizada pela Comissão Europeia e que será tomada com base na evolução da situação em cada aeroporto, sem comprometer a segurança das fronteiras.

No Parlamento, a ministra da Administração Interna reconheceu que a introdução do novo sistema “correu mal” nos aeroportos portugueses. Maria Lúcia Amaral revelou que os tempos médios de espera em Lisboa rondam as três horas, tendo atingido, em alguns dias, as seis horas. Ainda assim, recusou que a responsabilidade seja exclusiva da PSP, apontando também o papel do Sistema de Segurança Interna, da ANA Aeroportos e das entidades privadas responsáveis pelos equipamentos e sistemas informáticos.

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