Afinal, as peles falsas não são a solução para a indústria da moda

As peles falsas têm sido apontadas pelos como a solução para um dos problemas da moda, mas, afinal, esta alternativa poderá ter outras consequências.

Filipa Almeida

As peles falsas têm sido apontadas pelos activistas dos direitos dos animais como a solução para um dos problemas da moda, mas, afinal, esta alternativa poderá ter outras consequências. Embora seja a única forma de não recorrer a animais para a produção de casacos, malas, sapatos ou chapéus, entre outros, poderá estar a prejudicar o planeta.

Segundo Linda Greer, especialista na indústria têxtil citada pela Fortune, a pele – seja ela verdadeira ou falsa – representa um risco para o ambiente. No caso das peles verdadeiras, verifica-se a presença de crómio, elemento utilizado no momento de tingir as peças e que é tóxico para humanos e planeta. No caso das peles falsas, também se encontra regularmente uma substância associada a cancro: cloreto de vinil é utilizado para tornar as peças resistentes às chamas.

«É uma espécie de escolha o seu veneno», alerta a especialista, sublinhando que ambos os processos de fabrico apresentam problemas de toxicidade.

Além disso, as peles falsas também contam na sua composição com polímetros sintéticos à base de petróleo, o que faz com que não sejam biodegradáveis. «Ou acabam nos aterros ou no sistema de águas enquanto microplásticos», acrescenta Preeti Arya, professora no Fashion Institute od Technology de Nova Iorque.

Ainda assim, existe uma clara preferência por parte dos consumidores no que concerne as peles falsas. Na última estação Outono/Inverno, verificou-se um aumento de 24% no número de produtos de pele falsa, segundo dados da Edited. No mercado de luxo, o salto anual é de 13%.

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