Os aeroportos europeus poderão enfrentar uma escassez “sistémica” de combustível para aviões dentro de três semanas, caso não seja restabelecida de forma estável a circulação no Estreito de Ormuz. O alerta foi lançado pela organização ACI Europe, que representa os aeroportos da União Europeia.
Num documento enviado ao comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, a entidade refere “preocupações crescentes” quanto à disponibilidade de combustível de aviação e defende a necessidade de monitorização e intervenção urgente por parte da União Europeia.
A carta sublinha que, “se a passagem pelo Estreito de Ormuz não for retomada de forma significativa e estável nas próximas três semanas, a escassez sistémica de combustível para aviões tornar-se-á uma realidade na União Europeia”.
Segundo a associação, as reservas de combustível estão a diminuir, enquanto fatores externos, como a atividade militar em curso, estão a aumentar a pressão sobre a procura e a distribuição.
A situação torna-se ainda mais preocupante com a aproximação do verão, período em que o tráfego aéreo aumenta significativamente e sustenta o setor do turismo — uma componente essencial para muitas economias europeias.
Preços duplicam apesar de cessar-fogo
Apesar do anúncio de um cessar-fogo de duas semanas na guerra envolvendo o Irão, feito por Donald Trump, os preços globais do petróleo e dos combustíveis de aviação continuam elevados.
Na Europa noroeste, o preço de referência do combustível para aviões atingiu 1.573 dólares por tonelada, mais do dobro dos cerca de 750 dólares registados antes do conflito.
Embora as companhias aéreas europeias assegurem ter combustível suficiente para as próximas semanas, os fornecedores já não conseguem garantir entregas regulares a partir de maio, o que levanta dúvidas sobre a continuidade das operações.
A nível internacional, algumas companhias começaram a ajustar a sua atividade. A Delta Air Lines anunciou uma redução de 3,5% na capacidade, incluindo cortes em voos noturnos e a meio da semana, prevendo um aumento de custos de cerca de dois mil milhões de dólares entre abril e junho.
Também a Air New Zealand reduziu voos devido ao aumento dos custos, enquanto a LOT Polish Airlines está a cortar rotas menos procuradas e admite subir os preços dos bilhetes.
Impactos já visíveis em alguns aeroportos
Na Europa, ainda não se registam falhas generalizadas, mas já existem sinais de tensão no sistema. No último fim de semana, quatro aeroportos italianos introduziram restrições no abastecimento de combustível, após problemas com um fornecedor-chave — ainda que não diretamente ligados ao Estreito de Ormuz.
Este canal marítimo é responsável por cerca de 40% do transporte mundial de combustível para aviação, tornando qualquer perturbação um risco significativo para a cadeia de abastecimento global.
União europeia chamada a intervir
Perante este cenário, a ACI Europe defende a criação urgente de um sistema europeu de monitorização da produção e disponibilidade de combustível.
A associação alerta que “uma crise de abastecimento poderá provocar perturbações severas nas operações aeroportuárias e na conectividade aérea”, com potenciais impactos económicos significativos tanto para as comunidades locais como para a economia europeia no seu conjunto.
Com o verão à porta e a procura por viagens a aumentar, o setor da aviação enfrenta agora uma corrida contra o tempo para evitar uma crise que poderá afetar milhões de passageiros em toda a Europa.




