Aeroporto do Montijo ameaça habitat único de mais de 200 mil aves

Especialistas defendem que o parecer favorável à construção do aeroporto do Montijo «não faz qualquer sentido». Joaquim Teodósio, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), explica que estamos a falar e um habitat altamente complexo» e único em Portugal.

Executive Digest

Especialistas defendem que o parecer favorável à construção do aeroporto do Montijo «não faz qualquer sentido». Ao “Público”, Joaquim Teodósio, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), explica que estamos a falar e um habitat altamente complexo» e único em Portugal.

Para o especialista, o parecer favorável à construção do aeroporto do Montijo vai «contra as leis nacionais, as directivas internacionais e mesmo contra o próprio bom-senso».

Por outro lado, o  investigador especialista em aves José Alves faz notar que «uma das grandes preocupações é o facto de as aves deixarem de poder ter estas áreas de alimentação e de refúgio acessíveis». Esse é um dos «grandes impactos» do aeroporto que «não está bem quantificado no estudo de Impacte Ambiental», defende, acrescentando que «os últimos censos davam números à volta de 200 mil até 300 mil aves no estuário».

«A percepção de que as aves, porque podem voar, podem simplesmente deslocar-se para outros locais não é comprovada pelos dados que temos», sublinha. E conclui: «O mais provável é que não tenham tempo para se adaptar mediante uma ameaça nova que aparece de um momento para o outro, que são os aviões a circular por cima desta zona estuarina».

A 8 de Janeiro, o Estado e a ANA – Aeroportos de Portugal, concessionária dos aeroportos nacionais, assinaram o acordo que permite a expansão aeroportuária no Humberto Delgado, em Lisboa, e a concretização do projecto do Montijo – a chamada Portela+1. Assim, o memorando de entendimento assinado definia os pressupostos financeiros e técnicos da solução escolhida: ou seja, que a ANA suportará todos os encargos, num total de 1,15 mil milhões de euros, pelo que não implicará custos para os contribuintes.

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Praticamente no final do ano, a 30 de Outubro, a Agência Portuguesa do Ambiente emitiu a proposta de Declaração de Impacte Ambiental (DIA) relativa ao aeroporto do Montijo e as respectivas acessibilidades. A decisão acabou por ser «favorável condicionada», viabilizando o projecto, apesar das preocupações ambientais (avifauna, ruído e, entre outras, a mobilidade).

Já em 2020, Agência Portuguesa do Ambiente emitiu a 21 de Janeiro a DIA favorável, embora condicionada, relativa à infraestrutura aeroportuária do Montijo.

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