Aeroporto de Lisboa entre os piores da Europa: atrasos persistem e verão preocupa

Com o verão à porta — período de maior pressão no tráfego aéreo — as autoridades alertam que a situação está longe de resolvida e que milhares de passageiros continuam a ser afetados

Francisco Laranjeira

Os atrasos nos voos continuam a marcar o panorama da aviação europeia e Portugal está no centro do problema. Apesar de uma ligeira melhoria recente, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, destacou-se em 2025 pelos piores níveis de pontualidade do continente, segundo dados avançados pela ‘Euronews’ com base no relatório do ‘Eurocontrol’.

Com o verão à porta — período de maior pressão no tráfego aéreo — as autoridades alertam que a situação está longe de resolvida e que milhares de passageiros continuam a ser afetados.

Lisboa no fundo da tabela europeia

O desempenho do aeroporto de Lisboa foi particularmente negativo. Apenas 49% dos voos partiram a horas em 2025, o valor mais baixo entre os principais aeroportos europeus — e mesmo a nível continental.

A capital portuguesa surge ainda entre as mais afetadas por atrasos nas chegadas, ao lado de cidades como Atenas e Luxemburgo, num cenário que reflete limitações estruturais e operacionais.

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Tráfego já supera níveis pré-pandemia

O problema surge numa altura em que o tráfego aéreo europeu já ultrapassou os níveis registados antes da pandemia, atingindo 100,2%.

Este crescimento está a colocar forte pressão sobre aeroportos e rotas, muitos dos quais operam perto do limite da capacidade, com pouca margem para absorver imprevistos.

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Porque é que os voos continuam a atrasar?

Segundo o ‘Eurocontrol’, não há uma única causa para os atrasos, mas sim um conjunto de fatores que se acumulam.

No caso de Lisboa, destacam-se as condições meteorológicas adversas, restrições no espaço aéreo e congestionamento nas rotas, que acabam por provocar um efeito dominó em toda a rede europeia.

Os chamados “atrasos reativos” — quando um atraso inicial se propaga ao longo do dia — continuam a ser a principal origem do problema, com um impacto médio de 6,5 minutos por voo.

No total, cerca de 30% dos voos partem com atraso, com uma média de 15 minutos.

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Norte da Europa lidera pontualidade

Enquanto o sul da Europa enfrenta mais dificuldades, vários aeroportos do norte destacam-se pela eficiência.

Cidades como Bergen, Oslo, Estocolmo, Copenhaga e Leipzig apresentam taxas de pontualidade superiores a 80%, demonstrando maior capacidade de resposta às pressões operacionais.

Já aeroportos como Munique, Roma Fiumicino e Londres Heathrow foram os que mais conseguiram melhorar o seu desempenho.

Verão pode agravar o problema

Com cerca de 30 mil voos diários — número que sobe para 35 mil na época alta —, o sistema europeu enfrenta desafios significativos para manter a fluidez do tráfego.

As autoridades apontam a falta de controladores aéreos, a necessidade de redesenho do espaço aéreo e o atraso na inovação tecnológica como obstáculos críticos.

Sem mudanças estruturais, o risco é claro: um verão marcado por novos atrasos, longas esperas e frustração para milhões de passageiros — com Lisboa novamente sob os holofotes.

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