Aeroporto da Portela e TGV: José Sócrates acusa António Costa de “mesquinhez”

Antigo primeiro-ministro critica projetos do Governo

Francisco Laranjeira

José Sócrates acusou, esta terça-feira, o Governo de António Costa de “mesquinhez”. “Nada no discurso do chefe do Governo tem a ver com estratégia, mas com mesquinhez”, escreveu o antigo primeiro-ministro, num artigo de opinião assinado no Expresso.

“Sorrateiramente, sem que nada pareça ter mudado, o novo aeroporto e o TGV regressam à atualidade política”, explicou, garantindo que no caso do aeroporto da Portela “tudo foi atirado para o lixo e, 14 anos depois, voltámos ao ponto de partida”. “A localização em Alcochete foi decidida em 2008, na sequência de uma avaliação ambiental estratégica e, dois anos depois, em 2010, o projeto tinha tudo para avançar na construção – estudo de impacto ambiental feito, avaliação ambiental aprovada, anteprojeto de construção e parecer positivo de todas as câmaras municipais envolvidas. Tudo isto foi atirado para o lixo. Catorze anos depois voltámos ao ponto de partida”, criticou.

As críticas prosseguem no projeto do TGV: segundo o antigo chefe de Governo, “foi primeiramente cancelado em 2011 pelo governo da direita e três anos depois o Ministério Público tentou criminalizá-lo com acusações desonestas, absurdas e politicamente motivadas”. “Mais tarde, sete anos mais tarde, em 2018, o governo socialista exprimiu finalmente a sua opinião sobre o projeto considerando a alta velocidade ‘um tabu que duraria muito tempo’. Bom, não demorou assim tanto. Este ano o projeto renasceu como ‘projeto revolucionário’ da ferrovia. Para trás ficam onze anos de atraso”, apontou.

O objetivo, garantiu José Sócrates, “é encobrir o falhanço político do adiamento do projeto de alta velocidade. Há trinta anos os espanhóis inauguraram a sua primeira linha, entre Madrid e Sevilha. Há trinta anos a viagem entre Porto e Lisboa demorava cerca de três horas e hoje dura duas horas e cinquenta. Julgo que estes dois pontos são bastantes para se perceber o significado político do adiamento do projeto e o custo que representou para o desenvolvimento do país”, finalizou.

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