Advogada chinesa lidera associação internacional de advogados lusófonos

A nova presidente da Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa (JALP) defendeu à Lusa que, perante “desafios geopolíticos complexos”, os profissionais jurídicos têm a responsabilidade de “construir pontes entre culturas e sistemas jurídicos distintos”.

Executive Digest com Lusa

A nova presidente da Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa (JALP) defendeu à Lusa que, perante “desafios geopolíticos complexos”, os profissionais jurídicos têm a responsabilidade de “construir pontes entre culturas e sistemas jurídicos distintos”.


A associação elegeu como presidente, até 2028, Un I Wong, uma advogada chinesa de Macau formada na Universidade Católica Portuguesa e que exerce há nove anos em Portugal.


Un recordou ter iniciado o percurso na sociedade Morais Leitão, em Portugal, onde foi, “durante algum tempo, a única advogada de origem chinesa da equipa”.


“Mais tarde, passei a integrar [a MdME], uma sociedade com presença em Macau, Hong Kong e Lisboa, tendo ainda realizado uma experiência em Pequim. Estas vivências permitiram-me observar diferentes formas de trabalhar e de encarar a profissão jurídica em contextos distintos”, explicou.


Na China continental, destacou, “existe uma forte cultura profissional orientada para a rapidez de execução, capacidade de resposta e proatividade”.

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“Costumo dizer, em tom de brincadeira, que na advocacia chinesa parece vigorar o modelo ‘007’, isto é, disponibilidade de meia-noite a meia-noite, sete dias por semana”, acrescentou.


Em Portugal, apontou, há “uma maior valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, bem como do debate jurídico e da construção argumentativa”.


Macau, por sua vez, “ocupa uma posição particularmente interessante”, conjugando a matriz jurídica portuguesa com um ambiente de trabalho “mais próximo do modelo português”, mas que beneficia “da proximidade ao dinamismo económico da Ásia”, explicou Un.

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“No fundo, esta experiência internacional reforçou a minha convicção de que não existe um único modelo de sucesso. Os melhores profissionais são aqueles que conseguem integrar diferentes formas de pensar e trabalhar e navegar entre culturas, sistemas jurídicos e realidades profissionais distintas”, concluiu.


A advogada apontou que ter estudado e trabalhado entre a Europa e a Ásia reforçou a convicção de que a “advocacia do futuro não deve limitar-se às fronteiras nacionais”.


“Hoje, os advogados desempenham também um papel relevante na construção de pontes entre culturas, economias e sistemas jurídicos”, afirmou.


Un sublinhou que os jovens advogados lusófonos possuem “uma vantagem única” de integrar uma comunidade que se estende por vários continentes, e “marcada por diversidade económica e cultural”.


“Num contexto global cada vez mais interligado, mas também marcado por desafios geopolíticos complexos, acredito que os jovens advogados lusófonos podem afirmar-se como profissionais globais”, acrescentou.

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Fundada em 2020, a JALP é uma associação sem fins lucrativos que visa apoiar, integrar e representar jovens advogados dos países de língua oficial portuguesa. Reúne atualmente mais de 300 associados.


Os novos órgãos sociais, para o triénio 2026-2028, integram representantes de Angola, Brasil, Macau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. A direção vai ser presidida por Un, tendo como vice-presidentes Pedro Leão Trigo e Lukeno Ribeiro Alkatiri.


Un destacou como prioridade “reforçar a JALP como plataforma ativa de ligação entre jovens advogados lusófonos” e aprofundar a “ligação entre diferentes jurisdições”, “promovendo a partilha de conhecimento, experiências e boas práticas”.


Outra meta será preparar os jovens advogados para a “transformação acelerada da profissão”, com a “tecnologia, a inteligência artificial e novas exigências dos clientes a redefinir a prática da advocacia”.


Apesar das dificuldades, Un descreveu que “nunca existiram tantas possibilidades de colaboração internacional”, ou de acesso ao conhecimento e utilização de tecnologia para potenciar o trabalho dos advogados.


A responsável anunciou ainda planos para parcerias da associação com universidades, ordens de advogados e organizações internacionais, e dialogar com entidades ligadas ao ecossistema de tecnologia legal.


“Assumimos o compromisso de reforçar a proximidade entre os jovens advogados lusófonos, promover a inovação na profissão jurídica e contribuir para a construção de uma comunidade jurídica mais internacional, colaborativa e preparada para o futuro”, concluiu a nova presidente da JALP.

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