Adoçantes artificiais podem aumentar o risco de cancro em 13% – especialmente cancros da mama, estômago e próstata

Estudo relatou que o aspartame e o acessulfame K, em particular, foram associados ao aumento do risco de cancro – especialmente cancros da mama e relacionados com a obesidade, como cancro colorretal, de estômago e da próstata

Francisco Laranjeira
Março 29, 2022
9:00

Os adoçantes têm sido apontados como prejudiciais para a nossa saúde e diversos estudos associaram já o consumo a condições como obesidade, diabetes de tipo 2 e doenças cardiovasculares, embora as ligações ao cancro sejam menos certas – um estudo publicado recentemente na ‘PLOS Medicine’, que analisou mais de 100 mil pessoas, apontou que aqueles que consomem altos níveis de alguns adoçantes correm risco de desenvolver certos tipos de cancro, apontou o jornal online ‘The Conversation’.

Para avaliar a ingestão de adoçantes artificiais, os investigadores pediram aos participantes que fizessem um diário alimentar – cerca de metade dos participantes foram acompanhados durante mais de oito anos. O estudo relatou que o aspartame e o acessulfame K, em particular, foram associados ao aumento do risco de cancro – especialmente cancros da mama e relacionados com a obesidade, como cancro colorretal, de estômago e da próstata, o que sugere que a remoção de alguns tipos de adoçantes da dieta alimentar pode reduzir o risco de cancro.



Muitos alimentos comuns contêm adoçantes. Os aditivos alimentares imitam o efeito do açúcar nos nossos recetores degustativos – alguns ocorrem naturalmente (como a estévia ou xarope de yacon), outros, como o aspartame, são artificiais.

Embora tenham poucas ou nenhuma caloria, os adoçantes têm um efeito sobre a nossa saúde. Por exemplo, o aspartame transforma-se em formaldeído (um conhecido agente cancerígeno) quando o corpo o digere, o que potencia o seu acumular nas células, tornando-as cancerígenas. As nossas células estão programadas para se autodestruir quando se tornam cancerosas. Mas o aspartame demonstrou ‘desligar’ os genes que dizem às células cancerígenas que devem proceder dessa forma. Outros adoçantes, incluindo sucralose e sacarina, também demonstraram danificar o ADN, o que pode levar ao cancro – embora tal tenha sido demonstrado em células de laboratório e não num organismo vivo.

Os adoçantes também podem ter um efeito profundo sobre as bactérias que vivem no nosso intestino, o que prejudica o sistema imunológico, significando que deixam de identificar e remover mais células cancerígenas.

Mas ainda não está claro como os adoçantes iniciam ou apoiam as mudanças cancerígenas nas células – muitas das experiências seriam difíceis de aplicar a humanos porque a quantidade administrada foi em doses muito mais altas do que um humano jamais consumiria.

O risco de desenvolver cancro naqueles que consumiram os níveis mais altos de adoçantes artificiais em comparação com aqueles que consumiram as quantidades mais baixas foi de  mais 13%.

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