A administração da Lusa disse hoje esperar que não se repitam acusações de detentores de cargos políticos quando confrontados com notícias que relatam factos.
Em causa está um comunicado publicado nas redes sociais da autarquia de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, que acusa a Lusa de “tentativa de manipulação”, que qualifica de “lastimável, mentirosa e reles”, além de “habitual”.
Numa nota hoje divulgada, o Conselho de Administração da Lusa registou a atitude de repúdio da Direção da Informação (DI), do Conselho de Redação (CR) e da Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa e disse esperar “que não se repitam mais estas ações de autarcas ou de outros detentores de cargos políticos quando são confrontados com factos de que a Lusa faz notícia — com rigor e independência”.
Perante uma adjetivação que se escusou a classificar, a Administração da Lusa manifestou ainda solidariedade para com o autor da notícia e a Direção de Informação da agência.
O comunicado da autarquia de Gaia surge na sequência de uma notícia da Lusa, publicada no Jornal de Notícias e baseada em informações divulgadas em Diário da República.
A notícia em causa dá conta da anulação de um concurso para 136 funcionários no dia seguinte à informação da abertura de concursos para 93 cargos de chefias na mesma autarquia.
A CT da Lusa referiu hoje subscrever as posições da DI e dos membros do CR relativamente às declarações do presidente da Câmara Municipal de Gaia, que considerou “insultos inaceitáveis”.
Por sua vez, a DI enviou uma carta ao presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia na qual criticou a postura do executivo, depois de acusar a agência de “tentativa de manipulação”, numa missiva apoiada pelo Conselho de Redação.
A DI da agência Lusa diz ter falado com os jornalistas, que apontaram que “foi dada oportunidade à câmara de se pronunciar sobre os factos noticiados, o que não foi aceite”, acabando o comunicado por ser publicado “pouco depois”.
O Conselho de Redação da Lusa expressou, em comunicado, apoio à DI.
“As acusações dirigidas à Lusa pela Câmara Municipal de Gaia são injustas e desproporcionadas, sobretudo quando a notícia em causa se baseou exclusivamente em informação oficial publicada em Diário da República”, refere o organismo representante dos trabalhadores.
Em abril, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, acusou um jornalista da Lusa de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política. A autarca acabou por retratar-se publicamente das acusações que tinha feito ao jornalista, admitindo que teve “um momento infeliz, que não se voltará a repetir”.
No passado dia 04 de maio, a CT da Lusa denunciou que foi alvo de comportamentos intimidatórios por um funcionário do gabinete do ministro da Presidência, que detém a tutela sobre a comunicação social – conduta considerada inadequada pelo chefe de gabinete de Leitão Amaro.
No comunicado, a CT salientou que, “contrastando com a reunião formal com o ministro António Leitão Amaro, a qual decorreu de forma cordata apesar das divergências de pontos de vista, o alto funcionário interpelou” a Comissão de Trabalhadores “em tom insultuoso e intimidatório pondo em causa a idoneidade dos representantes dos trabalhadores”.






