Adiada novamente audiência de Netanyahu em julgamento por corrupção. PM israelita alegou “razões diplomáticas”

O Tribunal Distrital de Jerusalém aceitou esta segunda-feira o pedido do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para cancelar a audiência que estava agendada para terça-feira no âmbito do seu julgamento por corrupção, fraude e abuso de poder.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Tribunal Distrital de Jerusalém aceitou esta segunda-feira o pedido do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para cancelar a audiência que estava agendada para terça-feira no âmbito do seu julgamento por corrupção, fraude e abuso de poder. O pedido foi feito durante uma sessão à porta fechada, na qual Netanyahu alegou que questões de segurança e compromissos diplomáticos exigiam a sua atenção, tornando inviável a sua comparência no tribunal.

Além do adiamento, a defesa do primeiro-ministro solicitou também a redução do número de audiências em que Netanyahu terá de testemunhar, passando de três para duas. O pedido fundamenta-se na complexa situação diplomática e nas atuais tensões de segurança em Israel.

O tribunal ainda não tomou uma decisão sobre esta última solicitação, mas pediu à defesa que apresente até quinta-feira alternativas para a audição de outras testemunhas de defesa uma vez por semana, caso uma das sessões originalmente previstas para Netanyahu seja cancelada em definitivo. Só depois de receber essa proposta e de ouvir a posição do Ministério Público é que o tribunal emitirá uma decisão final sobre a redução do número de audiências.

O processo contra Netanyahu tem sido alvo de múltiplos adiamentos, alguns devido a razões médicas e outros por compromissos políticos do primeiro-ministro. Na passada segunda-feira, aquando da reabertura do julgamento em Telavive, Netanyahu alegou estar a enfrentar “desafios médicos significativos” e explicou que estava a ser submetido a um tratamento com “altas doses de antibióticos”, o que justificaria a necessidade de fazer pausas durante o seu testemunho.

Esta foi a primeira sessão a contar com a sua presença desde a cirurgia à próstata a que foi submetido em dezembro. No entanto, na semana anterior, Netanyahu não compareceu ao tribunal por estar em visita oficial aos Estados Unidos, onde se reuniu com o ex-presidente Donald Trump. Durante a viagem, o líder israelita elogiou Trump pelo plano que propõe a deslocação da população palestiniana da Faixa de Gaza e a subsequente tomada de controlo do território por parte de Israel.

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Além disso, outras três audiências foram adiadas devido a problemas de saúde de um dos juízes responsáveis pelo caso, segundo o jornal The Times of Israel.

Benjamin Netanyahu enfrenta três processos judiciais distintos, nos quais é acusado de crimes como corrupção, fraude e aceitação de subornos. Apesar das acusações, o primeiro-ministro tem negado qualquer irregularidade e classificado os casos como parte de uma perseguição política contra si.

Um dos processos remonta ao ano 2000, quando Netanyahu terá negociado um acordo com o jornal Yedioth Aharonot para garantir uma cobertura mediática favorável ao seu governo. Em troca, teria prometido aprovar legislação que prejudicaria o diário concorrente Israel Hayom.

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O julgamento prossegue num momento de grande tensão política e diplomática para Israel, com incerteza sobre os próximos passos do tribunal relativamente às futuras audiências de Netanyahu. As autoridades judiciais ainda não esclareceram se poderão ocorrer novos adiamentos devido ao estado de saúde do primeiro-ministro.

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