Um apresentador da televisão estatal russa ‘Russia 1’ sugeriu esta segunda-feira que o uso de armas nucleares será a única opção que restará à Rússia depois de a Finlândia e a Suécia se juntarem à NATO.
“A sua razão oficial [para entrar na NATO] é o medo. Mas eles terão mais medo na aliança. Quando as bases da NATO aparecerem na Suécia e na Finlândia, a Rússia não terá outra escolha a não ser neutralizar o desequilíbrio e a nova ameaça através do uso de armas nucleares táticas”, disse Dmitry Kiselyov, citado pelo ‘Newsweek’.
Os dois países estão a desafiar abertamente as recentes ameaças do Kremlin contra a adesão à NATO, com a sua decisão de encerrar décadas de neutralidade sendo quase inteiramente motivada pela invasão russa da Ucrânia.
A primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, anunciou esta segunda-feira que a Suécia solicitará formalmente a adesão à NATO, após uma reunião extraordinária do seu governo e um debate parlamentar.
Isto acontece um dia depois de a Finlândia também ter anunciado oficialmente a intenção de avançar para a candidatura à NATO. “Este é um dia histórico. Uma nova era começou”, disse o Presidente finlandês, Sauli Niinistö, numa conferência de imprensa conjunta com a primeira-ministra, Sanna Marin.
A Finlândia e a Suécia seriam muito bem recebidas na aliança e a sua aplicação seria acelerada, disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg. Mas a Rússia ameaçou “retaliações” se os dois países continuarem com o seu processo de inscrição.
Ainda na quinta-feira, a Rússia disse que um conflito direto com a NATO pode desencadear uma guerra nuclear. No entanto, a ação militar parece improvável, num momento em que as forças russas mal avançam na Ucrânia.
A inversão na histórica posição de não alinhamento dos dois países escandinavos surge na sequência da invasão da Ucrânia por Moscovo em 24 de fevereiro, que fez mudar a opinião pública e política na Finlândia e na Suécia.
Ambos têm estado fora de alianças militares há décadas. Oficialmente neutras durante a Guerra Fria, a Suécia e a Finlândia permaneceram fora da NATO após a queda da União Soviética (URSS), mas têm mantido alguma proximidade com a Aliança Atlântica desde a década de 1990.
Os dois países são membros da “Parceria para a Paz” da NATO e participam regularmente em exercícios militares conjuntos.












