Depois de a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, ter anunciado que o processo de impeachment de Donald Trump vai mesmo avançar, os democratas afirmaram esta sexta-feira que as acusações estarão prontas já nos próximos dias, avança o “The Independent”.
Concluída a redação dos artigos de impeachment, estes serão submetidos a votação na Câmara dos Representantes, onde o Partido Democrata tem maioria. Segue-se o julgamento no Senado, que deverá receber o dossiê até ao fim do mês. Se assim for, o terceiro capítulo da destituição do Presidente começará em janeiro.
A speaker da Câmara dos Representantes admitiu quinta-feira que «a democracia está em jogo, o presidente não nos deixa outra opção a não ser agir», disse Pelosi, acrescentando que «as acções do Presidente violaram seriamente a constituição». «Com tristeza, mas também com confiança e humildade, em lealdade aos nossos fundadores e com o coração cheio de amor pela América, hoje vou pedir ao presidente da comissão para avançar com os artigos de destituição», anunciou.
Em causa está um telefonema, em Julho passado, entre Trump e o Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenskii, a quem o republicano terá pedido ajuda para prejudicar Joe Biden, que foi vice-presidente na Administração de Obama e é um dos favoritos à nomeação democrata para as presidenciais de 2020. Esta conversa deu início a um processo de impugnação de Donald Trump, anunciado a 24 de Setembro pela presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.
Depois do anúncio de Nancy Pelosi, Trump recorreu ao Twitter para declarar que, se é para ser votada a destituição, quanto mais depressa melhor, mas alerta que o inquérito vai estabelecer um precedente perigoso para futuros presidentes. «Os democratas da esquerda radical acabam de anunciar que vão tentar destituir-me por nada. Eles já desistiram das acusações ridículas de Mueller, então agora penduram os chapéus em duas ligações telefónicas totalmente perfeitas com o presidente ucraniano…», escreveu. O impeachment, continuou, «será usado rotineiramente para atacar futuros presidentes» – o que, sublinha, não é «o que nossos fundadores tinham em mente».
Trump salientou, no entanto, que existe um lado bom nesta decisão, que é mostrar que «os Republicanos nunca estiveram tão unidos» e que irá sair vencedor de todo este processo. «Vamos vencer!», afirmou.
….This will mean that the beyond important and seldom used act of Impeachment will be used routinely to attack future Presidents. That is not what our Founders had in mind. The good thing is that the Republicans have NEVER been more united. We will win!
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) December 5, 2019
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Minutos depois, a conselheira do Presidente dos Estados Unidos, Kellyanne Conway, também veio afirmar que a Casa Branca está «bastante preparada» para a votação no Senado (onde os republicados detêm a maioria] dos artigos com vista à destituição de Trump.
Esta é a quarta vez em 230 anos que o Congresso chega perto de acusar e julgar um Presidente dos Estados Unidos. Até agora, só três presidentes americanos haviam sido alvo de impeachment: Andrew Johnson em 1868, por ter destituído o secretário da Guerra à revelia do Senado; Richard Nixon em 1974, por espionagem; e Bill Clinton em 1999, por ter mentido sobre a relação sexual com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Johnson e Clinton acabaram ilibados e Nixon demitiu-se antes mesmo do início do processo.














