O conjunto de 10% de famílias com maior riqueza líquida em Portugal é responsável por 54% da riqueza líquida total. Por outro lado, o conjunto de 50% de famílias com riqueza líquida mais reduzida corresponde a apenas cerca de 8%. Os dados são disponibilizados pelo Banco de Portugal e dizem respeito a 2017. Neste ano, as famílias mais ricas apresentavam uma riqueza líquida, pelo menos, 365,3 vezes superior à das famílias mais pobres.
Isto porque os dados do Banco de Portugal sobre a diferença entre riquezas diz respeito às famílias que estão no percentil 90 (que ainda têm 10% da população mais rica acima de si) e às que estão no percentil 10 (no mesmo sentido, têm 10% da população mais pobre abaixo). Por isso, a diferença ainda poderá ser maior.
O Banco de Portugal sublinha também que os valores apresentados são utilizados para medir a desigualdade da distribuição da riqueza e que se “situam de um modo geral próximos dos registados na média da área do euro”. A mesma instituição adianta que “o valor médio da riqueza líquida retornou em 2017 a um nível idêntico ao de 2010”.
Já no que ao valor mediano diz respeito, verifica-se um aumento entre 2013 e 2017 mas, ainda assim, insuficiente para ultrapassar o de 2010. Em 2017, o valor mediano da riqueza líquida situava-se entre menos de mil euros na classe mais baixa (grupo de 20% das famílias mais pobres) e mais de 500 mil euros na classe mais elevada (10% de famílias mais ricas).
“Esta evolução distinta sugere um ligeiro decréscimo na desigualdade da distribuição da riqueza líquida entre 2010 e 2017”, vinca o Banco de Portugal.
Entende-se por riqueza líquida os activos reais e financeiros das famílias portuguesas: nomeadamente propriedades imobiliárias, veículos motorizados, negócios por conta própria, outros bens valiosos (activos reais) ou depósitos à ordem e a prazo, fundos de investimento, acções cotadas, planos voluntários de pensões (activos financeiros).
Os dados são divulgados hoje na Revista de Estudos Económicos do Banco de Portugal, que tem por base inquéritos realizados à situação financeira das famílias.













