António Ramalho, ex-CEO do Novobanco, vai integrar a equipa da Católica Porto Business School como industry fellow da área de banca e financiamento. Em declarações à Executive Digest admite que “juntar o conhecimento científico universitário com a experiência profissional é um projeto que sempre me animou”.
Durante o seu percurso profissional, o executivo foi também administrador financeiro dos bancos do Grupo Champalimaud (Sotto Mayor, Totta e Açores, Crédito Predial e Chemical Finance) e também do Grupo Santander em Portugal, bem como vice-presidente do Millennium BCP.
Em declarações à Executive Digest fala sobre o convite para lecionar, os desafios das empresas num cenário de crise económica e o conhecimento empresarial de banca e financiamento.
Foi convidado pela Católica Porto Business School, escola onde se formou, para lecionar. Dar aulas estava nos seus projetos de vida?
Foi um convite que não tive dúvidas em aceitar. Primeiro, porque se tratava da Católica Porto Business School que é uma escola extraordinariamente próxima das empresas e dos empresários; segundo, porque a minha longa experiência profissional só tem valor para a sociedade se puder ser partilhada. Juntar o conhecimento científico universitário com a experiência profissional é, naturalmente, um projeto que sempre me animou.
Qual a importância do conhecimento de banca e financiamento bancário para os executivos?
O acréscimo da complexidade dos processos bancários e a evolução da regulação exigem hoje um diálogo mais bem informado entre empresas e banca. E isto para benefício quer das empresas quer dos bancos. É nesse campo que vamos trabalhar.
Estes conhecimentos são uma arma para potenciar o crescimento dos negócios?
Todo o conhecimento é essencial ao crescimento económico. Mas uma melhor relação entre financiadores e financiados, baseado no conhecimento mútuo, é uma vantagem para todos.
Num cenário marcado por uma crise económica mundial, com a inflação e as taxas de juro em alta, os executivos portugueses estão capacitados para dar resposta aos desafios financeiros?
Claro que o fim de um longo ciclo de taxas anormalmente baixas coloca mais pressão na gestão do financiamento. Mas são sobretudo as alterações regulatórias que vieram para ficar que tornaram esta formação essencial. Quem sabe como pode uma empresas sair do seu período de cura após uma restruturação? Quem conhece os novos critérios ESG que limitarão ou ampliarão a sua capacidade de financiamento? Quem domina os critérios de compliance exigíveis aos fornecedores para efeito de garantir os recebimentos atempados? São questões como estas que procuraremos trabalhar de uma forma prática e científica.
Durante o seu percurso profissional liderou diversos projetos, tanto da banca como empresariais. Qual deve ser a principal arma de um líder? Que características deve ter para impulsionar o seu projeto?
A pergunta merecia uma longa resposta, mas eu vou tentar sintetizar num conceito. O nosso dever é gerir talento. Quer captando talento, quer preservando talento, quer agregando talento. É por isso que as Universidades e as Business Schools, como é o caso da Católica Porto Business School, são tão fundamentais para ajudar a desenvolver talento.













