“Acreditar que chove não é propriamente uma boa ideia”: especialista avança com possibilidade de apagões elétricos em Portugal

António Pinheiro, professor do Instituto Superior Técnico e especialista em hidráulica, criticou proposta do Governo

Francisco Laranjeira

O Plano de Poupança de Energia, apresentado pelo Governo pode não ser suficiente. “O nível de reservas mínimas nas barragens pode depois discutir-se, mas é prudente e fundamental haver reservas para produção de eletricidade”, garantiu o engenheiro António Pinheiro, professor do Instituto Superior Técnico e especialista em hidráulica, à rádio ‘TSF’ – e tudo depende da chuva que possa (ou não…) cair nos próximos meses. No pior cenário, Portugal tem poucas alternativas, sobretudo depois do fecho da última central de produção de energia a carvão e sem hipóteses de importar eletricidade de Espanha, à semelhança dos últimos anos.

“Acreditar que chove não é propriamente uma boa ideia. Pode chover mas nada nos garante que será suficiente”, apontou o responsável. E sem essas reservas para produzir eletricidade, “o país fica mais vulnerável”.

O especialista defendeu que é preciso ir mais longe na prevenção e estabelecer um “plano para cortes pontuais de eletricidade, para não chegarmos ao apagão”. Onde? António Pinheiro garantiu que não são decisões fáceis mas que o “Governo deveria pensar no assunto e avançar” já com cortes, durante algumas horas do dia.

A intenção de Espanha em limitar os caudais dos rios internacionais é um probelma extra na crise energética nacional. Apesar disso, o especialista recomendou cautela e frisou que “é preciso termos estudos atuais e precisos sobre as disponibilidades dos caudais e das diferentes necessidades de água no nosso país”, antes de se renegociar a Convenção de Albufeira. Por último, sugeriu, a possibilidade “de reativar, mesmo que provisoriamente, a produção de energia a carvão na Central do Pego”.

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