Acordo para reabrir Ormuz pode chegar esta quarta-feira. O que muda para o petróleo e para a economia?

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, admitiu que existe uma “possibilidade” de ser alcançado um acordo “hoje ou amanhã” para normalizar a circulação marítima naquela passagem estratégica

Executive Digest

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, poderá reabrir já esta quarta-feira, caso as negociações em curso permitam alcançar um entendimento entre o Irão e os mediadores internacionais.

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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, admitiu que existe uma “possibilidade” de ser alcançado um acordo “hoje ou amanhã” para normalizar a circulação marítima naquela passagem estratégica.

“Estamos em negociações com os iranianos e penso que há uma possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo com vista à reabertura do estreito e à normalização da situação”, afirmou, em declarações à ‘CNBC’.

A expectativa surge numa altura em que centenas de navios continuam condicionados pela crise e depois de novos incidentes registados durante a noite, incluindo um ataque a mais um navio na região.

O que está em causa?

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O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, sendo responsável pela passagem de uma parte significativa do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.

Desde o agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irão, a navegação tem sido fortemente afetada, provocando atrasos no transporte de energia e uma subida dos preços internacionais do petróleo.

Scott Bessent afirmou esperar que um eventual acordo permita restaurar a “liberdade de circulação” e contribua para uma rápida normalização do mercado energético.

“Espero que os preços da energia voltem ao normal, o que será benéfico para o mundo inteiro”, afirmou.

Washington e Teerão continuam a trocar versões

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Apesar do otimismo demonstrado pela administração de Donald Trump, o Irão continua a negar que existam negociações diretas com Washington.

Na passada segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, garantiu que Teerão apenas mantém contactos com Omã.

“Não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Estamos a negociar com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Ormuz”, afirmou.

Já Trump insistiu que as conversações decorrem “neste preciso momento” e classificou esta como “a última oportunidade” para o Irão aceitar um entendimento.

Petróleo continua sob pressão

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A possibilidade de reabertura de Ormuz poderá aliviar a pressão sobre os mercados energéticos, depois de vários meses de forte volatilidade.

Ainda assim, os preços continuam elevados. Durante a madrugada desta quarta-feira, o barril de Brent, referência para a Europa, negociava acima dos 84 dólares, enquanto o WTI ultrapassava os 80 dólares.

Na passada segunda-feira, Donald Trump voltou também a criticar as grandes petrolíferas dos Estados Unidos, acusando-as de estarem a lucrar excessivamente com a crise.

O presidente dos Estados Unidos apontou diretamente à ExxonMobil e à Chevron, defendendo que as empresas deveriam refletir nos preços dos combustíveis os lucros extraordinários obtidos durante o conflito.

Caso o acordo avance nas próximas horas, os mercados estarão atentos ao regresso da normalidade numa das rotas comerciais mais estratégicas do planeta, cuja reabertura poderá contribuir para aliviar os custos da energia e reduzir parte da tensão que continua a marcar o Médio Oriente.

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