O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que o memorando de entendimento alcançado entre Washington e Teerão está longe de representar um acordo final e advertiu que poderá ordenar uma nova campanha de bombardeamentos contra o Irão caso considere que o entendimento não está a ser cumprido ou se as autoridades iranianas “não se portarem bem”.
As declarações foram feitas à margem da cimeira do G7, que decorre em Evian-les-Bains, em França. Referindo-se ao documento negociado entre os dois países, Trump sublinhou que se trata apenas de um entendimento preliminar e não de um acordo definitivo. “É um memorando de entendimento. E se eu não gostar dele, voltaremos a disparar contra eles, a lançar bombas sobre as suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se portarem bem, voltaremos imediatamente a lançar bombas mesmo no meio das suas cabeças”, declarou o chefe de Estado norte-americano.
Apesar do tom ameaçador, Trump elogiou o enquadramento negociado pela sua administração, considerando que o acordo representa um avanço significativo nas relações entre os dois países. “É um acordo muito forte. Ninguém sabe exatamente o que ele contém, mas é muito forte, e a maioria das pessoas parece estar muito satisfeita”, afirmou.
O Presidente norte-americano esclareceu ainda que o memorando não prevê um alívio imediato das sanções impostas ao Irão, uma das questões que tem estado no centro das negociações entre Washington e Teerão. A ausência de medidas imediatas nesse domínio sugere que os principais pontos económicos continuarão a ser objeto de negociação nas próximas fases do processo diplomático.
Trump aproveitou também para destacar aquilo que considera serem os efeitos positivos do entendimento nos mercados financeiros internacionais. Segundo o líder norte-americano, a reação dos investidores demonstra confiança na iniciativa diplomática. “Não há nada tão inteligente como o mercado, e o mercado adora isto mais do que qualquer outra coisa que eu tenha visto”, afirmou.
Na mesma intervenção, Trump foi mais longe e defendeu que a alternativa ao entendimento atualmente em negociação poderia ter consequências económicas globais extremamente graves. “A alternativa seria uma depressão mundial”, sustentou.
As declarações surgem numa altura em que os mercados energéticos continuam atentos à evolução das relações entre os Estados Unidos e o Irão. Os preços do petróleo encontravam-se esta quarta-feira próximos dos mínimos dos últimos três meses, cenário que Trump acredita poder prolongar-se caso o processo avance positivamente. “Penso que os preços do petróleo podem ficar ainda mais baixos do que estavam antes da guerra”, afirmou.













