Acidente/Elevador: PS insiste na criação de uma comissão eventual na Assembleia Municipal de Lisboa

Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, o PS na Assembleia Municipal de Lisboa insistiu hoje na criação de uma comissão eventual sobre o acidente, proposta que vai voltar a apresentar após ter sido rejeitada há meses.

Executive Digest com Lusa

Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, o PS na Assembleia Municipal de Lisboa insistiu hoje na criação de uma comissão eventual sobre o acidente, proposta que vai voltar a apresentar após ter sido rejeitada há meses.

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Num comunicado enviado à agência Lusa, o grupo municipal do PS lembrou que a primeira proposta foi rejeitada há pouco mais de três meses pela maioria de direita na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), com os votos contra de PSD, CDS-PP, IL e Chega, e afirmou que, desde então, as perguntas sobre o descarrilamento do elevador da Glória “não diminuíram”, mas sim “aumentaram”.

Por isso, o PS insistiu na criação de uma comissão eventual na AML para o acompanhamento da resposta municipal ao acidente do ascensor da Glória, que ocorreu a 03 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e 24 feridos, sobretudo turistas estrangeiros.

“Um ano depois, já existem factos demasiado graves para não serem escrutinados e continuam perguntas demasiado importantes para dar este processo por encerrado. O relatório final [do GPIAAF – Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários] foi adiado, a responsabilidade da Assembleia Municipal não pode ser adiada com ele”, declarou o socialista Hugo Gaspar, líder da bancada do PS na AML, citado no comunicado.

O PS sublinhou ainda que, passado um ano do acidente, continuam processos indemnizatórios por concluir e há “vítimas e familiares que dizem continuar à espera de respostas, apoio e responsabilização”, enquanto a empresa municipal Carris, responsável pelo elevador da Glória, já projeta um novo ascensor para 2029.

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“Lisboa deve preparar o futuro deste equipamento. Mas não pode passar diretamente da tragédia de 2025 para um novo elevador em 2029 sem escrutinar, no plano municipal, o que falhou num transporte centenário, numa imagem da cidade e numa empresa integralmente detida pelo município”, advogou o PS, principal partido de oposição à governação PSD/CDS-PP/IL, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas.

De acordo com o PS, a constituição de uma comissão eventual na AML “não pretende substituir o GPIAAF nem o Ministério Público”, entidades que investigam o acidente, de forma independente, e que preveem apresentar relatórios até ao final do primeiro trimestre de 2027.

Assim, esta comissão eventual, segundo os socialistas, “pretende exercer uma competência diferente: acompanhar e fiscalizar a atuação do município de Lisboa e da Carris, empresa cujo capital pertence integralmente ao município”.

Entre as matérias que o PS considera que devem ser acompanhadas pela AML estão a implementação das recomendações de segurança, as alterações aos mecanismos de controlo interno e de gestão da segurança da Carris, a contratação e fiscalização da manutenção, as auditorias em curso, as medidas de apoio e reparação às vítimas, as condições de regresso dos equipamentos históricos à operação e o desenvolvimento da nova instalação do ascensor da Glória.

Os socialistas recordaram ainda que, quando a primeira proposta de comissão eventual foi rejeitada em maio, foi defendido que o acompanhamento poderia ser realizado através dos mecanismos permanentes da AML, no entanto, “desde então, não foi realizada qualquer reunião da comissão permanente dedicada especificamente ao acidente do Glória que substituísse esse acompanhamento”.

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“Há hoje múltiplas entidades a investigar tecnicamente o acidente. O que continua a faltar é uma estrutura da Assembleia Municipal que escrutine politicamente a resposta da câmara e da sua empresa municipal”, reforçou.

Para assinalar um ano do descarrilamento, a Câmara de Lisboa inaugurou hoje um memorial de homenagem às vítimas, no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, onde ocorreu o acidente.

Passado um ano, dos 40 processos de indemnização a familiares das vítimas mortais e a sobreviventes do acidente, apenas se encontram concluídos quatro, segundo a seguradora da Carris, a Fidelidade.

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