O acidente da passada sexta-feira, em que um comboio Alfa-Pendular embateu num veículo de serviço da Infraestruturas de Portugal (IP) depois de este ter desrespeitado um sinal vermelho na Estação de Soure, podia ter sido evitado se a IP tivesse seguido as recomendações do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), noticia esta segunda-feira o jornal Público.
A investigação a que o Público teve acesso mostra que o desrespeito pela sinalização é frequente, com pelo menos 15 ocorrências em oito anos.
Em 2016, depois de um veículo de serviço da IP ter ultrapassado um sinal vermelho na estação de Roma-Areeiro, em Lisboa, o GPIAAF tinha já aberto uma outra investigação e descoberto que “tinha havido 13 situações de desrespeito pela sinalização” nos últimos seis anos, a que se juntaram dois episódios idênticos registados enquanto a investigação decorria.
Na altura, os quinze casos levaram à emissão de várias recomendações que, segundo o Público, terão sido ignoradas.
No documento, o GPIAAF recomendava, por exemplo, “o aumento da formação dos condutores daqueles veículos de serviço” e a instalação do “Convel” (Controlo de Velocidade) a bordo daquelas composições”, tal como acontece com todos os comboios da CP, Fertagus, Medway e Takargo.
Não tinha havido consequências até ao momento, mas o acidente de sexta-feira em Soure, que resultou em dois mortos e 43 feridos, demonstrou que o desrespeito pelos vermelhos pode acarretar efeitos graves.













