Academia de projeto de gás no sul de Moçambique necessária a formação atempada – Governo

O Governo moçambicano justificou hoje a escolha do sul do país para a fase inicial da Academia Mozambique LNG com a necessidade de garantir condições adequadas à formação atempada de técnicos, assegurando decorrerem outras ações na província de Cabo Delgado.

Executive Digest com Lusa

O Governo moçambicano justificou hoje a escolha do sul do país para a fase inicial da Academia Mozambique LNG com a necessidade de garantir condições adequadas à formação atempada de técnicos, assegurando decorrerem outras ações na província de Cabo Delgado.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

A posição do Ministério da Educação e Cultura (MEC) moçambicano surge após críticas do Fórum das Organizações da Sociedade Civil de Cabo Delgado (Focade) e do Conselho Empresarial Provincial, na semana passada, à realização na cidade da Matola, arredores de Maputo, da formação inicial de 260 jovens para a indústria do gás, que consideram representar uma oportunidade perdida para fortalecer o ensino técnico e as competências locais na província que acolhe o projeto Mozambique LNG, liderado pela francesa TotalEnergies.


Numa nota de esclarecimento, o MEC garante que a parceria com a TotalEnergies não altera a prioridade ao desenvolvimento do ensino técnico-profissional em Cabo Delgado e enquadra-se numa estratégia mais ampla de formação de quadros para a indústria do petróleo e gás associada ao projeto Mozambique LNG, que já permitiu beneficiar 1.765 jovens com formação técnica, bolsas de estudo e estágios profissionais.


“Desses, 1.154 frequentaram ações de formação no IFPELAC [Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo], em Pemba, e 390 no Instituto Industrial e Comercial de Pemba”, refere a nota.


Sobre a opção pela Matola, o Governo afirma que a decisão “decorre de uma avaliação técnica das condições existentes nas instituições de ensino vocacional analisadas”, que concluiu que o Instituto Industrial e Comercial da Matola reúne “as condições de infra-estrutura, capacidade instalada, alojamento, oficinas, laboratórios e equipamentos indispensáveis para assegurar o arranque imediato do programa, em conformidade com os padrões técnicos exigidos pela indústria do gás natural liquefeito”.

Continue a ler após a publicidade

O executivo defende ainda que a utilização das capacidades já existentes naquela instituição permite “cumprir o calendário de implementação do Projecto Mozambique LNG” e evitar atrasos que poderiam obrigar à realização da formação fora do país.


O Programa Nacional de Formação Mozambique LNG prevê um investimento da TotalEnergies de 191,5 milhões de meticais (2,6 milhões de euros) e destina-se a 260 licenciados nas áreas de mecânica, eletricidade, instrumentação e controlo e operações de processo. Após um ano de formação teórico-prática na Matola, os formandos seguirão para cerca de dois anos de formação em contexto de trabalho nas instalações da empresa em Afungi, no distrito de Palma, em Cabo Delgado.


Respondendo às críticas sobre a alegada marginalização da província, o Ministério sustenta que “Cabo Delgado mantém-se no centro da estratégia” de desenvolvimento de competências para o setor do gás”, apontando investimentos em infraestruturas de ensino técnico na província, incluindo a construção e apetrechamento do Instituto Industrial e Comercial Filipe Jacinto Nyusi, na vila de Namaua.


Segundo o MEC, Cabo Delgado dispõe atualmente de 14 instituições de ensino técnico-profissional, seis das quais públicas, e já formou 525 jovens nas áreas de eletricidade, petróleo e gás, incluindo 150 em processamento de gás.


O investigador moçambicano João Feijó alertou, em entrevista à Lusa, na segunda-feira que a decisão de realizar no sul a fase inicial da Academia Mozambique LNG evidencia “desconsideração” do Governo central pelas populações do norte, ameaçando aprofundar o descontentamento social em Cabo Delgado.

Continue a ler após a publicidade

A Lusa tentou obter uma reação da TotalEnergies a estas críticas locais, mas sem sucesso até ao momento.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.