Um grupo de católicos portugueses, grande parte dos quais os mesmos que pediram em 2021 a formação de uma comissão independente para estudar os casos de abusos sexuais no seio da Igreja Católica, exige agora à instituição que, no prazo de 60 dias (dois meses), afaste os bispos que tenham tentado encobrir crimes de abusos e suspenda os padres abusadores.
O pedido foi feito numa carta, endereçada à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e citada pelo Público, onde reclamam que os bispos que comprovadamente tenham encoberto casos de abusos sexuais de menores sejam retirados de funções, ao mesmo tempo que todos os padres abusadores que estejam ao serviço sejam preventivamente suspensos, caso “haja indícios minimamente credíveis sobre abusos”.
O pedido é feito independentemente de avançar o processo judicial ou não, uma vez que muitos dos crimes já prescreveram à luz da lei nacional.
O mesmo grupo de fiéis católicos pede a D. José Ornelas que, no prazo de um mês, a Igreja crie mecanismos de apoio psicológico e psiquiátrico às vítimas dos crimes, mas que terá de ser feito fora “do ambiente eclesial”, ou seja, separado da Igreja.
Também na mesma missiva, o grupo revela que quer que seja feito “um momento solene e coletivo” que represente simbolicamente “o pedido de perdão às vítimas, ao mesmo tempo que reforça um pedido já feito: que seja criada nova comissão independente que continue o trabalho da anterior Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.
A carta é enviada precisamente no dia antes de o CEP explicar o que irá fazer com o relatório que aponta para 4815 vítimas de abusos sexuais na Igreja, e também quando o organismo vai receber (assim como o Ministério Público), a lista com mais de 100 nomes de abusadores sexuais que ainda continuam no ativo e ligados à Igreja, incluindo padres, catequistas, escuteiros e outros.



