De seu nome Amir Mohamed Said Said Abderraman al-Mawla, era conhecido como Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurashi e fez-se explodir esta quinta-feira, 3, para evitar ser capturado numa operação anti-terrorismo que os EUA levaram a cabo na Síria. Tinha assumido o comando do Estado Islâmico após a morte do anterior chefe do grupo jihadista, Abu Bakr al-Baghdadi, numa operação semelhante levada a cabo em outubro de 2019, perto da fronteira com a Turquia.
Conhecido como “o Destruidor” ou “Professor”, era uma figura importante entre os jihadistas iraquianos, tendo subido rapidamente na hierarquia nos últimos 20 anos. Entre os feitos que lhe são atribuídos está o massacre dos Yazidis, uma minoria de língua curda, considerado um verdadeiro genocídio pela ONU.
Com o desaparecimento de al-Baghdadi, os EUA acabaram por reconhecê-lo oficialmente como novo líder do Estado Islâmico em março do ano passado e adicionaram-no à sua lista dos terroristas mais procurados do mundo. Mas, segundo é agora adiantado pela imprensa internacional, é que, antes disso, tinha sido um informador dos americanos, revelando não só as identidades de outros líderes terroristas como fornecendo indicações precisas sobre a sua localização.
“Prisioneiro-modelo, cooperante e excecionalmente falador”
Já para o Estado Islâmico, o agora falecido líder era um veterano da luta contra o ocidente, com educação religosa e experiência no campo de batalha. Além disso, formara-se na Faculdade de Ciências Islâmicas de Mosul, tendo ainda concluído a licenciatura em estudos jurídicos na Universidade de Mosul. A partir daí, serviu primeiro como oficial no exército do ditador iraquiano Saddam Hussein – mas, após a ocupação americana do Iraque e a captura de Hussein em 2003, virou-se para o extremismo violento e acabou por assumir o papel de comissário religioso para a Al-Qaeda. No ano seguinte, seria capturado pelas forças norte-americanas devido às suas ligações à Al-Qaeda.
Foi nessa altura, enquanto esteve preso em Basra, perto da fronteira entre o Iraque e o Koweit que conheceu Abu Bakr al-Baghdadi, tendo-se estabelecido uma ligação próxima entre ambos. Mas não só. De acordo com documentos a que o ‘The Washington Post’ teve acesso, antes de se juntar ao grupo, nos anos seguintes, tornou-se informador dos EUA.
Nesses relatórios, é descrito mesmo como um “prisioneiro modelo”, “cooperante” e “excecionalmente falador”. A certa altura, detalha ainda o diário americano, ficou “ansioso com a sua condição”, sugerindo que “esperava ser recompensado pela quantidade de informação que forneceu”.












