O sonho de uma nova vida na Europa para alguns milhares de migrantes – homens, mulheres e crianças – que viajaram cerca de 1.300 quilómetros desde a Síria até à fronteira greco-turca começa a desvanecer. Esta sexta-feira, a polícia grega lançou gás lacrimogéneo e os migrantes reagiram, atirando pedras.
Entretanto, centenas de migrantes reuniram-se em frente ao posto de fronteira de Pazarkule (Kastanies, no lado grego), gritando «liberdade», «paz» e «abram as portas», conta um fotógrafo da “AFP”. «Queremos viver em paz», podia ler-se num dos cartazes que algumas pessoas seguravam.
As autoridades gregas, no entanto, acusam as forças turcas de lançarem bombas de gás lacrimogéneo e bombas de fumo no lado grego da fronteira. «Houve ataques coordenados esta manhã [sexta-feira].»
O aumento da segurança na fronteira da Grécia é a resposta de Atenas à decisão do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que decidiu «abrir as portas» a 3,6 milhões de refugiados sírios que queiram ir para a Europa, numa tentativa de garantir mais apoio ocidental na questão da guerra na Síria.
«Erdogan está a usar-nos para receber mais dinheiro da União Europeia», afirmou à “Reuters” Tamam Srmini”, um jovem sírio, de 21 anos, oriundo de Alepo. Mas, continuou: «Temos que tentar. Não temos outra hipótese, porque não temos qualquer futuro na Turquia».
Outra migrante, sentada perto de uma pilha de sacos cheios de roupas e fraldas para os seus filhos, de 13 e 7 anos, questionava-se: «Porque é que ele [Erdogan] fez isto connosco se sabia que a Grécia não nos deixaria atravessar?».













